Operários mexicanos
denunciam regime de trabalho de
semi-escravidão nos EUA
Um grupo de 30 trabalhadores mexicanos denunciaram os
maus-tratos que sofreram nos EUA em um estaleiro onde trabalharam em regime de
semi-escravidão. Os trabalhadores foram contatados por um agente da empresa
Logimex para firmar um contrato com o estaleiro South West Ship Yard, no
Texas.
Tiveram de pagar 250 dólares ao recrutador da Logimex
relativos aos trâmites do visto e mais 1150 dólares pelo visto, além dos
custos da viagem aos EUA. Os trabalhadores se endividaram achando que teriam
um vínculo com a empresa que os contratou, conforme o prometido.
Os mexicanos entraram legalmente nos EUA e denunciaram
maus-tratos, exploração e humilhação no trabalho, além de perseguição por
parte da contratante.
Os soldadores de barco foram submetidos a condições de
trabalho desumanas. “Imagine, entrar em um barco apenas com um maçarico, em um
lugar completamente escuro e sufocante, com uma temperatura de quase 49
graus”, denunciou um dos trabalhadores. Outro, sofreu choque elétrico de forte
intensidade, devido ao uso de equipamentos velhos e inadequados para o
serviço. Teve que ser internado num hospital.
Menos de uma semana depois, outro operário foi sufocado
devido ao calor. Socorrido, teve um infarto no hospital, tendo de ficar
internado por alguns dias. Ao sair, foi cobrada uma conta de quase 20 mil
dólares.
O trabalhador recordou que os recrutadores haviam
prometido um seguro médico, porém o estaleiro se negou a pagar a fatura
alegando que não havia prometido nada, a empresa afirmou que o trabalhador já
estava doente antes ser contratado, desconsiderando os exames feitos durante a
contratação.