Lula às ‘margaridas’: ‘trabalhadores rurais não irão
perder seus direitos’
“Antes era fácil ganhar as eleições com o voto dos
pobres e depois governar só para os ricos. A minha preferência é fazer
política para quem precisa do Estado brasileiro”, disse o presidente às
trabalhadoras rurais na Marcha das Margaridas
“Algumas pessoas ficam indignadas não é pelo fato de vocês estarem aqui, porque se Brasília é capital do Brasil,
as pessoas precisam se habituar a ver toda a sociedade fazendo manifestação
aqui. E mais importante é quando as mulheres que fazem a reivindicação são
aquelas que pertencem à família que tira do campo não apenas o sustento da sua
família, mas uma parte dos alimentos que comem os que nos criticam todo santo
dia. Eu sei que tem muita gente incomodada e vão se incomodar muito mais,
porque nós vamos fazer muito mais”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva na recepção aos participantes da Marcha das Margaridas, realizada no dia
22, em Brasília.
O presidente Lula destacou
que tem “três anos e meio de mandato, tenho clareza dos discursos que fiz por
este país a minha vida inteira, e tenho clareza de que aqui tem companheiras
que me ouvem falar desde 1980 por este país. Eu sei cada palavra do que nós
temos que fazer e sei do tempo que nós temos que construir para fazer a coisa.
E eles se incomodam, porque antes era fácil ganhar as eleições com o voto dos
pobres e depois governar só para os ricos. Eu digo todo santo dia: sou
presidente de 190 milhões de habitantes, mas não tenho dúvida de que a minha
preferência é fazer política para a parte mais pobre da sociedade brasileira,
que é quem precisa do Estado brasileiro”.
Ao saudar os presentes,
entre ministros, parlamentares e representantes de entidades, Lula arrancou
gargalhadas dos manifestantes ao cumprimentar o presidente da Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) de forma descontraída:
“Quero cumprimentar o meu companheiro Manoel dos Santos, presidente da Contag”,
disse Lula, completando: “Está certo que é a Marcha das Margaridas, mas o
Manoel não precisava ter vindo de camisa rosa”.
DIREITOS
O presidente deixou claro
que ninguém vai mexer nos direitos dos trabalhadores e aposentados. “Se alguém
disser para vocês, em qualquer lugar do mundo, que nós vamos mexer no direito
dos aposentados brasileiros ou da mulher trabalhadora rural, vocês podem
saber, sem olhar na cara, que quem está falando é mentiroso. Porque eu tenho
consciência de que, muitas vezes, uma mulher trabalhadora rural ou um
trabalhador rural que precisa, para cumprir a lei, prestar informação com
documentos, tenho clareza de que o trabalhador urbano tem que contar o tempo
de serviço, mas eu penso sempre o seguinte: se a gente quiser ver a cara de
quem trabalha no campo, de sol a sol, a gente não precisa de documento. Do
vagabundo, a gente precisa do documento, impressão digital e outras coisas
mais. Mas, do povo trabalhador, que trabalha de sol a sol, a gente olha a cor
da pele, a gente olha a grossura da mão e a gente sabe que aquela pessoa é
trabalhadora e, por isso, os trabalhadores não irão perder os seus direitos”.
LUZ ELÉTRICA NO CAMPO
O programa Luz para Todos,
que está levando energia elétrica para o campo, também foi destacado por Lula.
“Eu sei o quanto incomoda algumas pessoas quando nós resolvemos levar luz
elétrica à casa do povo do campo deste país, e eu quero reiterar o meu
compromisso. Nós prometemos, até 2008, atender 12 milhões de famílias que não
tinham energia neste País. Já levamos para 6 milhões e vamos para os 12
milhões de famílias que precisam de energia. Porque quem nasce na capital,
quem nasce na cidade, numa rua com luz elétrica, numa rua com asfalto, numa
rua com água encanada, não sabe o que é a vida de um pobre deste país, que tem
que andar quilômetros com uma lata d’água na cabeça, cuidar de um filho doente
à base de uma luz de candeeiro, cozinhar à base de uma luz de candeeiro, e
quando chega um bico de luz é como se o dedo de Deus estivesse clareando o
nosso dia e a nossa noite”.
Lula incentivou os
trabalhadores do campo a levar suas reivindicações ao governo, lembrando:
“Aproveitem que vocês têm um companheiro na presidência da República e
reivindiquem aquilo que vocês entenderem que devem reivindicar, porque nós
temos que trabalhar para atender. Muitas vezes vai demorar um ano, vai demorar
seis meses, mas podem ficar certos de que nós vamos atender”.
Despedindo-se dos
manifestantes, o presidente Lula disse que “nós temos muita coisa para fazer
neste país, e eu sei que as pessoas andam meio nervosas. Eu não vi nenhuma
faixa aqui ‘Fora FMI’, porque não devemos nada ao FMI. Eu não vi nada ‘ah, o
Clube de Paris’, porque não devemos ao Clube de Paris. Nós, hoje, não
precisamos ir falar com o governo americano para pedir dinheiro emprestado.
Nós temos 160 bilhões de dólares de reserva neste país. Somente no primeiro
semestre, de janeiro a julho, nós criamos 1 milhão e 200 mil empregos com
carteira assinada, mais do que todo o ano passado, e vamos gerar mais”.