CGTB, CUT, Força, UGT e NCST com Chinaglia:
“Veto à emenda 3 e
legalização das centrais são as prioridades”
Presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia recebeu
documento unitário das centrais em defesa dos direitos e da Previdência
Em audiência com
o
presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), as centrais sindicais CGTB, CUT, Força, UGT e
Nova Central entregaram documento propondo uma “jornada pelo desenvolvimento,
com distribuição de renda e valorização do trabalho”. Com 59 itens, o projeto
destaca a necessidade da manutenção de todos os direitos dos trabalhadores, o
aperfeiçoamento e a sustentabilidade da Previdência Social Pública, a urgência
na votação do veto do presidente Lula à emenda 3 no Congresso e da legalização
das centrais.
De forma unitária,
as lideranças sindicais defenderam a imediata retirada dos “projetos nefastos”
que estão prontos paras serem votados na Casa – como o que trata da
terceirização da mão-de-obra, encaminhado ao legislativo pelo desgoverno FHC.
Um outro igualmente daninho trata da demissão arbitrária que, além de retirar
a proteção do emprego, seqüestra a indenização dos 40% sobre o FGTS.
JORNADA
A lista de
projetos das centrais, elaborada com a assessoria do Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), apresenta entre outras
propostas a redução da jornada de trabalho, contribuição sindical negocial,
regulamentação das cooperativas de trabalho e estabilidade de dirigentes
sindicais. “Prioritárias para o movimento sindical”, das 59 propostas
entregues a Chinaglia, 47 encontram-se em tramitação na Câmara, 11 no Senado e
uma no Congresso Nacional, além de inúmeras proposições anexadas a esses
projetos.
O vice-presidente
da CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), Ubiraci Dantas de
Oliveira (Bira), expressou ao presidente da Câmara a sua preocupação com a
“invasão” estrangeira no setor agrícola e pediu a revogação da lei que permite
às empresas multinacionais adquirirem terras no Brasil por intermédio de
empresas brasileiras.
INVASÃO
“Hoje não existe
nenhuma restrição a essas aquisições de terras, pois existe uma lei que foi
implantada pelo Fernando Henrique, e que ainda não foi revogada, que dá plenos
direitos a qualquer empresa ‘laranja’ ou testa-de-ferro de multinacional a
possibilidade de comprar quanta terra quiser. Isso quer dizer que qualquer
multinacional pode se instalar na avenida Paulista, usando uma empresa
brasileira de fachada. Por uma questão de soberania nacional, não podemos
permitir que isso continue acontecendo, temos que mudar a lei”, acrescentou.
O presidente da
Central Única dos Trabalhadores (CUT), Artur Henrique, lembrou da agenda do
desenvolvimento proposta pelas centrais e da importância que as entidades
sindicais continuem seu trabalho de pressão política sobre o Congresso por
melhores condições de vida e de trabalho. O líder cutista alertou sobre a
importância da “organização sindical no local de trabalho” e a necessidade de
se anular o “interdito proibitório”, mecanismo inconstitucional que atenta
contra o direito de organização e de greve, impedindo que os dirigentes
sindicais tenham acesso aos locais de trabalho.
Artur denunciou
também a leitura patronal do artigo 522 da CLT (Consolidação das Leis de
Trabalho), que estabelece que sete dirigentes sindicais tenham estabilidade no
emprego. “Com uma interpretação anti-sindical, o patronato entende que os
demais dirigentes das entidades não têm estabilidade e querem demiti-los”,
alertou. Segundo Artur, para combater esta prática, o senador Paulo Paim
(PT-RS) apresentou projeto de lei que também proíbe a demissão de membros e
candidatos ao Conselho Fiscal das entidades.
Durante a
audiência, Arlindo Chinaglia reiterou o compromisso com o diálogo e a garantia
de direitos: “nós queremos estabelecer aqui uma nova relação com os setores
organizados da sociedade, até porque isso é um aprendizado para nós e para
quem tem contato com a Câmara dos Deputados”.
Além das centrais,
participaram do encontro representantes da Confederação Nacional dos
Trabalhadores na Agricultura (Contag); Via Campesina; Associação Brasileira de
Imprensa (ABI); Confederação Brasileira dos Aposentados, Pensionistas e Idosos
(Cobap); Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transporte (CNTT) e
técnicos do Diap.
ADEMAR COQUEIRO