Parlamento venezuelano aprova projeto de reforma constitucional
Assembléia Nacional da Venezuela aprovou, na terça-feira
21, por unanimidade, em primeira votação, o projeto de reforma da Constituição
apresentado na semana passada pelo presidente Hugo Chávez
A Assembléia Nacional da Venezuela aprovou, na terça-feira
dia 21, por unanimidade, em primeira discussão, o projeto de
reforma constitucional apresentado na semana passada pelo presidente Hugo Chávez. A proposta cria as bases institucionais para o socialismo na
Venezuela, o aprofundamento de sua democracia e o desenvolvimento do país e do
povo. O projeto será, ainda, votado em uma segunda discussão na Assembléia
Nacional, e em seguida irá a referendo nas urnas. O presidente Chávez convocou
o povo venezuelano a debater a reforma constitucional em todos os âmbitos da
sociedade. “Que os dirigentes, os líderes, os partidos políticos que apóiam a
revolução, os movimentos sociais, os estudantes, as mulheres, os
trabalhadores, os indígenas, os militares, os soldados e os combatentes,
travem o grande debate que marcará profundamente o início da nova era”,
afirmou ao apresentar, no dia 15, em cadeia nacional de televisão e rádio, a
proposta perante a Assembléia Nacional.
A proposta altera
cerca de 10% da Constituição aprovada em 1999 – trinta e três artigos. Entre
os principais desenvolvimentos da carta magna, estão a promoção, pelo Estado,
de um modelo econômico produtivo, diversificado e independente, e com
preponderância dos interesses comuns sobre os particulares; fim do monopólio
privado, do latifúndio e da autonomia do banco central; controle nacional dos
hidrocarbonetos; jornada de trabalho de seis horas; e ampliação da democracia,
com novos órgãos de poder popular, aumento do mandato presidencial de seis
para sete anos e reeleição.
SEGUNDO DEBATE
Agora, o texto
aprovado retorna para a comissão do parlamento encarregada da reforma
constitucional, que preparará a discussão e votação em segunda e decisiva
instância. Quanto ao referendo, terá sua data marcada em comum acordo entre a
Assembléia Nacional e o Conselho Nacional Eleitoral (o TSE de lá). A
presidente da AN, deputada Cilia Flores, avaliou que a mudança constitucional
poderá ser feita em “três meses”, lembrando a experiência da aprovação da
Constituição de 1999, “que refundou a república”. “Se em seis meses se pôde
fazer esse trabalho árduo de consulta, que era completa e geral, e na qual
todos participaram”, a modificação desses “33 artigos” poderá ser feita em
“três meses”, destacou.
A discussão no
conjunto da sociedade venezuelana sobre as reformas em questão já começou.
Antes mesmo da apresentação do projeto ao parlamento, ocorreram debates em
muitas cidades, bairros da capital, universidades e sindicatos sobre as
modificações nos 33 artigos. De acordo com Cilia, o prazo previsto para a
convocação do referendo sobre a reforma constitucional é até dezembro. A
Assembléia é totalmente integrada por partidos da base de Chávez, porque a
“oposição”, em frangalhos pelo reiterado e fracassado golpismo, e sem votos,
fugiu das urnas na última eleição.
Na véspera da
primeira votação na AN, o presidente Chávez afirmou, durante a inauguração de
um hospital infantil cardiológico em Caracas, que “é o povo que reclama maior
velocidade nas mudanças e que continuemos derrubando barreiras e obstáculos;
que continuemos cortando os nós górdios que amarram, detêm e muitas vezes o
angustia”.
DEMOCRACIA
Chávez sintetizou o
objetivo da reforma constitucional: “para o terreno político, o aprofundamento
da democracia popular bolivariana e socialista; no econômico, a preparação de
melhores condições para a construção de um modelo produtivo socialista; no
campo da administração pública, incorporar novas figuras para melhorar o
trabalho e deixar para trás a burocracia”. No terreno social, ele destacou que
a proposta visa “incrementar os direitos dos trabalhadores e ampliá-los para
todos os âmbitos imagináveis”, e no cultural, o aprofundamento de “nossas
raízes afrodescendentes e aborígines, nossa consciência patriótica e
antiimperialista”.
Ao apresentar na
Assembléia o projeto de reforma constitucional, o presidente Chávez destacou
que “as mudanças permitem abrir uma nova etapa de construção da Venezuela
Bolivariana e Socialista, abrem ao povo novos horizontes, abrem as portas a
uma nova era”. “Trata-se”, ressaltou, da confrontação “entre dois modelos de
país”. “Este, que está recompondo a Venezuela, reestruturando-a e
reorientando-a para a construção de um projeto social, humanista e
socialista”. E o outro, o capitalismo, “que destruiu a Venezuela, semeia a
desigualdade, destroça os valores humanos, e acaba com a sociedade e a
humanidade”. Ele recordou que foi como resultado desse fracasso histórico do
capitalismo em atender as necessidades essenciais do povo venezuelano e da
pátria que surgiu no país a revolução bolivariana.
ANTONIO PIMENTA