“Getúlio tinha compromisso com o país”, afirmou Lula
O presidente Lula,
ao lançar juntamente com o governador do Paraná, Roberto Requião, obras do PAC
na cidade de Guarituba, homenageou “o mais importante presidente da República
que esse país já teve, Getúlio Vargas”. “Este sim era chamado pelos pobres,
não de companheiro porque ele não era uma figura saída do meio popular, mas
era um presidente com compromisso com o país. A gente olha para trás e
percebe, quem começou a CSN foi ele, a primeira siderúrgica brasileira, quem
fundou a Petrobrás foi ele e muitas coisas que hoje temos no Brasil foi aquele
homem que criou. E que por pressão foi levado a dar um tiro no coração, no dia
24 de agosto de 1954”.
No Rio Grande do
Sul, Lula declarou que “a história de um país é contada em função de fatos e,
inegavelmente, se Getúlio Vargas não tivesse feito nada neste país, apenas
feito a Consolidação das Leis do Trabalho, ele teria sido o presidente da
República que tirou toda uma nação de um estágio de semi-escravidão para
tornar os cidadãos com direito a terem um emprego com carteira assinada”.
“O PAC é um grande
instrumento que nós criamos para isso [mudar o país]. Serão R$ 504 bilhões em
quatro anos, dos quais R$ 40 bilhões são para saneamento básico e urbanização
de favelas, R$ 106 bilhões, para habitação e mais estrada ferrovia, aeroportos
e portos. Há mais de 30 anos o Brasil não via isso”, disse Lula no Paraná.
Ao comentar o
discurso do governador Roberto Requião – que denunciou as mentiras de parte da
mídia contra ele e contra Lula – o presidente disse que “tem gente que fica o
tempo inteiro torcendo para as coisas não darem certo, porque a inveja e o
preconceito são duas doenças malignas, que nasceram na cabeça de algumas
pessoas. Eles vão morrer sem entender porque que um metalúrgico, que não tem
diploma universitário, é capaz de fazer mais que eles”. Lula fez apenas uma
ressalva: “as críticas que o companheiro Requião fez ao comportamento de
determinados setores da imprensa brasileira não atingem os profissionais da
imprensa, os jornalistas, que vivem de salário, mas aqueles que pensam que,
por falar na televisão ou escrever, são os donos da verdade”.
Em entrevista a um
jornal paulistano no fim de semana, falando sobre os problemas no setor aéreo,
o presidente disse que o governo descobriu que “as empresas estavam muito
açodadas na sua gana para ganhar dinheiro”. Acerca do papel das agências, Lula
disse que “o correto é o seguinte: a agência regula, mas quem define a
política pública é o governo”. E completou: “o governo determina a política e
a agência implanta”. A respeito dos biocombustíveis, Lula rejeitou a idéia de
que a Venezuela é contra a política brasileira para o setor e informou que
Chávez “está comprando três navios de etanol do Brasil para misturar na sua
gasolina”.
Ao responder sobre a
atuação dos partidos de esquerda na luta contra a ditadura, Lula destacou que
“eles estavam lutando contra um regime autoritário”. “Isso era visível. Se os
métodos eram corretos ou não, as circunstâncias políticas diziam que os
métodos eram quase os únicos que havia”. Ele defendeu a pensão para os
familiares do capitão Carlos Lamarca: “Se o Carlos Lamarca foi, pelos
critérios estabelecidos pela comissão, injustiçado, ele tem direito a receber
a indenização”.