Renan: “reunião da Anatel quer maquiar transação
ilegal entre a Abril e a Telefónica”
O presidente do
Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL), denunciou que a Anatel (Agência Nacional de
Telecomunicações) pretende usar a reunião de diretoria, marcada para esta
quinta-feira, dia 30, para fazer uma maquiagem na operação ilegal de
transferência do controle da empresa de TV a cabo TVA, da Editora Abril, para
a Telefônica, pela qual o grupo responsável pela publicação de “Veja” recebeu
quase R$ 1 bilhão.
“A idéia é maquiar
uma transação ilegal que denunciei aqui mesmo deste plenário. Querem trocar os
acionistas, os laranjas, como foram chamados na oportunidade, na tentativa de
aprovar o negócio flagrado na ilegalidade, conforme voto de um conselheiro da
Anatel”, afirmou o presidente do Senado, em pronunciamento na sexta-feira
passada.
O presidente do
Senado lembrou que os dirigentes da Telefônica e do Grupo Abril se recusaram a
comparecer à Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado Federal para prestar
esclarecimentos sobre a venda da TVA: “Fizeram ouvidos moucos, optando pela
delonga e pela procrastinação”.
“O grupo Abril, dono
da revista Veja, desafia a legislação brasileira ao transferir para a
Telefônica, empresa estrangeira, o controle total de uma operadora de
televisão em São Paulo”, enfatizou. “Quero reiterar que a negociata fere os
interesses nacionais, restringe a concorrência e agride o mercado”,
acrescentou Renan, observando que o acordo de acionistas celebrado entre os
dois grupos deixa a operação e o gerenciamento da parte das telecomunicações
da operadora de TV a cabo a cargo da Telesp (Telefônica). “Uma cláusula marota
estabelecendo uma reunião prévia, anterior às Assembléias Gerais e reuniões do
Conselho de Administração, que interfere decisivamente nos mecanismos de
controle”, explicou.
“Essa deprimente
operação pretende repassar também à Telefônica 86,7% da Comercial Cabo, também
na cidade de São Paulo, e 91,5% da TVA Sul, que alcança Curitiba, Foz do
Iguaçu, Florianópolis e Camboriú”, prosseguiu Renan. O presidente do Senado
destacou ainda que “não se observou nessa transação imoral o art. 7º da Lei do
Cabo, que garante que as decisões em concessionárias de TV a cabo sejam
tomadas exclusivamente por brasileiros, tendo em vista que as decisões da GTR
Participações estarão sujeitas à aprovação da Telesp, que é controlada por
estrangeiros”. “Peço ao ministro das Comunicações (Hélio Costa), ao
diretor-presidente da Anatel (Ronaldo Sardenberg) que suspendam o julgamento
(da venda da TVA à Telefônica) em razão das irregularidades apontadas. Não
pode haver tolerância com esse tipo de negócio”, frisou.