Para 5 de outubro, dia que expiram as concessões da Globo
CMS convoca atos contra
o monopólio da comunicação
A Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), que reúne
CUT, CGTB, UNE, MST e Conam, realizará manifestações de rua e no Congresso em
defesa do controle social sobre as concessões públicas de rádio e TV
O Seminário da CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais) sobre Comunicação, realizado sexta-feira (24) no
Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo, definiu o 5 de
outubro - dia em que expiram as cinco concessões próprias da Rede Globo (SP,
RJ, BH, Brasília e Recife) - como data simbólica para ações de rua e no
Congresso Nacional que fortaleçam a campanha pela democratização da mídia. O
mote “Concessão pública só com controle social”, debatido no evento, questiona
a manipulação privada do espectro rádio-televisivo, ressaltando a necessidade
de parâmetros legais mais rígidos e transparentes para o funcionamento das
emissoras.
DITADURA
Membro da executiva nacional
da CUT e representante da entidade na CMS, Antonio Carlos Spis avalia que “a
escolha do 5 de outubro, quando se encerra as concessões da família Marinho,
servirá para realizarmos um questionamento nacional sobre todas as renovações,
pois é inadmissível que este bem público estratégico seja apropriado ao longo
de décadas e renovado sem qualquer condicionante”. “Nossa luta pela
democratização é contra essa ditadura da comunicação, que manipula,
desinforma, age contra os interesses nacionais e populares. É a Rede Globo que
está por trás da pressão pela aprovação da emenda 3, que assalta direitos e
transforma todo trabalhador em pessoa jurídica”, lembrou Spis.
Coordenador do Fórum
Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e vice-presidente da
Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schröder, defendeu que é
importante dar um sentido estratégico à luta, que é de oposição à “visão
utilitária, instrumental e manipulatória da comunicação das elites, com sua
prática autoritária, excludente e não-plural”. Para Schröder, “a idéia do
controle público é fundamental, pois antes de um negócio, a comunicação é um
serviço”. Para encarar de frente este problema, enfatizou, é preciso
popularizar o debate sobre a democratização, pois a situação hoje é ainda mais
grave pela ameaça de desnacionalização do setor a partir das teles. “Assim,
precisamos fazer de cada verdade um ato político e não burocrático, fazer com
que as regulações existam e sejam cumpridas”.
INTERVOZES
Em nome do Coletivo
Intervozes, João Brant resgatou o papel do seminário para que os movimentos
sociais se apropriem cada vez mais deste debate estratégico, pois “as
concessões são o instrumento que oficializa, materializa e dá o poder que tem
hoje meia dúzia de famílias sobre o conjunto da sociedade brasileira”. “O
modelo de concessões no Brasil segue o padrão ‘velho oeste’, onde os
empresários reinam sozinhos, ditam as regras e não cumprem nem o pouco que a
lei prevê. Não há participação no debate sobre a concessão e renovação de
outorgas, que acontece sem responder a nenhum critério”. De acordo com João
Brant, “a ilegalidade a imoralidade sustentam um sistema de comunicações
concentrado e nada plural, em que o monopólio e o oligopólio proibidos pela
Constituição em seu artigo 220 estão presentes regional e nacionalmente”.
Desta forma, diante da “completa privatização do espaço público, o momento é
de pôr em xeque a lógica mercantilista, que impede o florescimento de novos
meios, enquanto os detentores das concessões seguem sem prestar contas a
ninguém sobre o uso que fazem delas”.
Para o vice-presidente da
CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), Ubiraci Dantas de Oliveira
(Bira), é fundamental levar a luta da democratização da comunicação para
dentro do Congresso. “As concessões públicas não podem mais continuar servindo
como poder paralelo dos oligopólios. O Legislativo tem papel importante nesta
luta contra o jogo sujo de meia dúzia de famílias que quer submeter, intimidar
e esculhambar a quem se opõe que o Estado seja privatizado, a que seu projeto
entreguista seja efetivado”. Segundo Bira, os que lutam por um Brasil melhor,
livre e independente, devem levar em conta que “manipulação, calúnia e
difamação são as armas da mídia contra os que não rezam a cartilha do
imperialismo”.
Em nome da Marcha Mundial de
Mulheres, Sônia Coelho denunciou a mídia pela manutenção da opressão e da
reprodução das desigualdades, deturpando a imagem feminina. “Não é que venda a
pulseirinha da garota da novela para ser consumida por milhões, a Globo faz da
mulher o próprio produto a ser vendido, naturalizando estereótipos como se
fôssemos só bunda e peito. Além disso, estimula a gravidez na adolescência, o
racismo e a violência contra a mulher, invisibilizando a luta política das que
querem transformar a realidade e afirmar outro projeto de país”.
Igor Felippe Santos, da
assessoria de Comunicação do MST, deu ênfase ao papel do movimento social na
disputa pela hegemonia com os conglomerados de comunicação. Para o embate com
a Globo, Igor acredita que a retomada da RCTV pelo governo Chávez na
Venezuela, “cumpre papel pedagógico importante para toda a América Latina,
pois demonstra que as redes não são sagradas, que são bens públicos e devem
ser reguladas pelo Estado”.
Representando a Central de
Movimentos Populares (CMP), Luiz Gonzaga Gegê defendeu que a campanha pela
democratização da comunicação vá às bases, dialogando com a parcela mais
atingida pela política de discriminação e exclusão dos barões da mídia.
Entre outros, participaram
do evento representantes da Confederação Nacional das Associações de Moradores
(Conam), da Campanha quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania e da
executiva nacional dos Estudantes de Comunicação Social.
LEONARDO SEVERO