“Pilotos” do Legacy fogem
de prestar depoimento e serão julgados à revelia
O juiz federal
Murilo Mendes, da Vara de Sinop, no Mato Grosso, determinou na segunda-feira
(27) que os pilotos norte-americanos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino sejam
julgados à revelia. Nenhum dos dois compareceu à primeira audiência brasileira
nem pretendem estar presentes no processo que apura o acidente do jato Legacy
com um Boeing da Gol em setembro de 2006.
De acordo com o
procurador da República Thiago Lemos de Andrade a ausência dos dois
norte-americanos não influenciará no andamento do processo. “A ausência, no
entender o Ministério Público, não interfere no prosseguimento da ação. O
interrogatório é um ato defensivo e cabe ao acusado decidir se pretende ou não
se defender por meio dele. Na visão do Ministério Público o que ocorreu aqui
foi uma recusa de prestação de depoimento”, disse.
Na denúncia
oferecida pelo Ministério Público Federal à Justiça eles são indiciados por
“atentado contra a segurança de transporte aéreo”. As investigação da CPI do
Setor Aéreo e da Polícia Federal apontaram que o transponder do Legacy - um
dispositivo de comunicação eletrônico que complementa o sistema de localização
da aeronave durante o vôo - estava desligado antes da aeronave se chocar
contra o avião da Gol. Na tragédia, ocorrida em setembro do ano passado em uma
fazenda no Norte do Mato Grosso, todas as 154 pessoas a bordo do avião da
companhia brasileira morreram. A denúncia foi aceita em junho, e o depoimento
estava marcado para acontecer na cidade matogrossense.
A defesa de Lepore e
Paladino solicitou ao juiz que fossem ouvidos nos Estados Unidos. “Em
território estrangeiro o juiz brasileiro não tem jurisdição, ou pelo menos não
a tem plenamente como convém a um agente investido de poderes estatais para
solucionar conflitos de interesse”, respondeu o magistrado ao negar o pedido.
Além disso, “o réu deve vir ao juiz, não o juiz ir ao réu”, completou Mendes
em repúdio ao descaso dos pilotos estadunidenses.
Lexi Hazam, que
representa famílias de vítimas do acidente com o Boeing da Gol, também critica
a tentativa dos pilotos de serem interrogados nos Estados Unidos. Para ela, o
depoimento não teria a mesma validade se ocorresse fora do Brasil. “Julgamos
inteiramente inadequada a sugestão de que seria adequado dar testemunho a
partir dos Estados Unidos, em vez de perante o júri e do público do Brasil”,
assinalou Hazam, que está movendo uma ação civil em um tribunal nova-iorquino
contra a ExcelAire, proprietária do jato Legacy.