Nilson Araújo de Souza
lança Economia Brasileira Contemporânea:
“O Brasil só cresceu
entre 1930 e 1980 porque, assim como hoje, elegeu o desenvolvimento como
prioridade”
Com uma linguagem
simples e uma análise profunda sobre a história do desenvolvimento brasileiro,
o mais recente livro do economista Nilson Araújo de Souza, Economia
Brasileira Contemporânea – de Getúlio a Lula, editado pela Atlas, foi
lançado na Fnac da Avenida Paulista, na semana passada. “É um livro didático
escrito com a preocupação de que alunos de graduação, do ensino médio, pessoas
que não tenham formação na área de economia, o público leigo em geral, possam
entender”, ressaltou o autor, que é membro do Secretariado Nacional do
Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8).
Nilson destacou
que no período de 1930 a 1980 o Brasil cresceu a uma taxa média de 7% ao ano.
“Neste primeiro momento, o Brasil foi a economia que mais cresceu no mundo.
Passou do 27º para o 8º lugar porque consolidou-se uma concepção ideológica
chamada nacional-desenvolvimentismo, onde se colocava no centro da questão o
desenvolvimento nacional, o desenvolvimento autônomo, período este em que não
se pensava apenas como resolver os problemas a curto prazo, mas como
resolvê-los a longo prazo, momento em que se apregoou a idéia de planejamento,
a idéia de que se devia caminhar com as próprias forças”, explicou.
“A partir de 81
essa situação mudou. No final do período anterior houve um violento processo
de endividamento externo do país. Esse endividamento não se deu apenas porque
o país tomou dinheiro emprestado para investir aqui dentro, se deu
fundamentalmente em função da política adotada a partir dos anos 70 nos países
ricos, sobretudo nos EUA, que elevou violentamente a taxa de juros fazendo com
que a dívida externa de todo o terceiro mundo aumentasse também de maneira
violenta”, frisou.
O secretário-geral
da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Carlos Alberto Pereira,
ressaltou a importância do livro para o movimento sindical. “A CGTB está
recomendando e distribuindo o livro para os nossos principais dirigentes para
que possamos atuar com mais segurança e mais firmeza. Ele é um subsídio
fundamental para toda a sociedade brasileira”.
Apesar de ter
analisado apenas o primeiro mandato do governo Lula no livro, Nilson
aponta como um novo momento para o Brasil, com a volta da idéia de se pensar
em planejamento e desenvolvimento, quando o presidente Lula levantou a
necessidade de o país crescer no mínimo 5% ao ano e lançou o Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC). “Só o anúncio dessa decisão já produz efeitos
na sociedade, as pessoas passam a acreditar mais, a pensar no desenvolvimento,
a pensar em crescer, o que motiva não apenas os empresários e trabalhadores,
mas também o conjunto da sociedade. Não é à toa que já neste ano a economia
vai crescer mais do que vinha crescendo”, sublinhou.
Na avaliação do
economista, o grande elo entre Getúlio e Lula é o desenvolvimento do Brasil.
“A grande obsessão de Getúlio era o desenvolvimento, essa era a prioridade
nacional, tanto é que ele não apenas transformou a economia de
agro-exportadora para economia industrial, como legou a legislação
trabalhista. Lula definiu que a prioridade voltou a ser o desenvolvimento.
Através do PAC foi estabelecida inclusive uma meta de crescimento mínimo. O
PAC começa a tentar destravar a economia, eliminar os obstáculos para a
retomada do desenvolvimento, com o objetivo de beneficiar a maioria da
população”, destacou.