Fidel rememora os dias após
a morte de Chibás e primeiros passos no rumo da Revolução
Em nova Reflexão, intitulada “Chibás ao se completarem
100 anos de seu aniversário”, o presidente cubano, Fidel Castro, relembra
acontecimentos da luta do seu povo pela libertação da ditadura de Fulgencio
Batista (1952-1959) e o assalto ao quartel Moncada, ao se comemorar o
aniversário do fundador do Partido do Povo Cubano (Ortodoxo), Eduardo Chibás.
O comandante escreveu nesse sábado, 25, às 18:32 horas.
“Quando li no jornal Granma o artigo do companheiro Hart
ao comemorar essa data, vi a menção de um parágrafo do discurso que proferi no
dia 16 de Janeiro de 1959 no Cemitério de Colombo, aos oito dias de minha
chegada a Havana depois da vitória. Trouxe-me muitas lembranças dos heróicos
companheiros mortos. Pensava em Juan Manuel Márquez, brilhante orador martiano
e segundo chefe da força expedicionária do “Granma”; em Abel Santamaría, que
seria o substituto no comando caso eu morresse no ataque ao Quartel Moncada;
Pedro Marrero, Ñico López, José Luis Tasende, Gildo Fleitas, os irmãos Gómez,
Ciro Redondo, Júlio Díaz e praticamente todos os membros do numeroso
contingente de jovens de Artemisa que morreram no Moncada ou na Sierra. A
lista seria interminável. Todos eles procediam das fileiras ortodoxas”, relata
Fidel, referindo-se aos integrantes do Partido Ortodoxo.
MONCADA
Fidel analisa a situação que se seguiu à morte de Eduardo
Chibás, em 16 de agosto de 1951, assim como o golpe de Estado perpetrado em
março de 1952 por Batista e o posterior assalto ao Moncada, que se configurou
como o início da Revolução Cubana.
“Ao se comemorar o primeiro aniversário da morte de
Chibás, escrevi uma proclamação cujo título foi: ‘Pancada de garra’”, conta
Fidel, transcrevendo o documento que finaliza conclamando: “Cubanos: há tirano
outra vez, mas haverá outra vez Mellas, Trejos e Guiteras. Há opressão na
pátria, mas haverá outra vez liberdade.”
“Eu convido os cubanos de valor, os bravos militantes do
Partido Glorioso de Chibás; a hora é de sacrifício e de luta...‘viver em
cadeias, é viver em opróbrio e na afronta submerso. Morrer pela pátria é
viver’”.
Fidel relembrou que na época, escrevendo sob o pseudônimo
Alejandro, condenou “aquelas pugnas estéreis que sobrevieram à morte de Chibás,
aqueles escândalos colossais, por motivos que não eram precisamente
ideológicos, mas de tipo puramente egoísta e personalista, ainda ressoam como
marteladas amargas em nossa consciência”.
Ele admoesta os culpados por este procedimento que com
insensatez ajudavam a ditadura que sobreveio à morte de Chibas: “não reparavam
que a porta da imprensa era estreita para atacar o regime; mas, ao contrário,
era larga para atacar aos próprios ortodoxos. Os serviços prestados a Batista
com semelhante conduta não têm sido poucos”.
SUPERAÇÃO
No mesmo artigo o dirigente prevê a superação destes
percalços por uma nova geração de combatentes: “Quem tiver um conceito
tradicional da política poderá se sentir pessimista ante este quadro de
verdades. Para os que têm, ao contrário, fé total nas massas, para os que
crêem na força irredutível das grandes idéias, não verá motivo para frouxidão
e desalento na indecisão dos líderes porque estes vazios são ocupados de
pronto pelos homens íntegros que saem das fileiras”.
“A Revolução abre passo ao mérito verdadeiro, aos que têm
valor e ideal sincero, aos que expõem o peito a descoberto e tomam nas mãos o
estandarte”, acrescenta.
Fidel recorda que “o sistema econômico facilitou que na
maioria das províncias a oligarquia e os latifundiários se apropriassem da
direção”.
Isto impediu os ortodoxos, junto com o povo, de assumir o
comando do país e impedir o golpe que instalou a ditadura pró-americana de
Batista. “Pude intuir e aprofundar as intenções golpistas de Batista. O golpe
poderia ter sido evitado e não se fez nada”. “No dia em que Chibás, cujo
cadáver foi velado na Universidade de Havana, ia ser enterrado’, relata o
comandante, “propus à direção ortodoxa dirigir aquela enorme massa ao Palácio
Presidencial e tomá-lo. Havia um governo desorganizado e cheio de pânico, um
exército desmoralizado e sem ânimos para reprimir aquela massa. Ninguém
haveria resistido”.
“Consumado o golpe e quando mais se se necessitava a
união, o papel da oligarquia foi deixar a massa majoritária do povo à mercê do
vento imperialista”.
“Eu segui com meu projeto revolucionário”, recorda Fidel,
“no qual, desta vez, a luta, desde seu início, seria armada”.
O líder cubano ressalta que um pouco depois os
revolucionários criaram uma estação de rádio clandestina que cumpriu o papel
que posteriormente teve a Rádio Rebelde em Sierra Maestra. “Em relativamente
pouco tempo, mimeógrafo, emissora e o pouco que tínhamos caíram em mãos do
exército golpista. Então aprendi as regras rigorosas às que devia se ajustar a
conspiração que nos levou ao ataque do Moncada”, declarou.