“Coincidência”
Mais uma vez a
Europa se curva diante do Brasil. Manchete na net alardeia “atrasos nos
aeroportos de Londres”. A secretária da City (centro financeiro de Londres)
afirmou que os constantes atrasos nos aeroportos deles “ameaçam minar a
condição de principal centro financeiro internacional” da capital britânica.
Aliás o prefeito de lá disse que o aeroporto Heathrow “é uma vergonha para a
capital”. Enquanto isso, na Itália, o problema se concentra no extravio das
bagagens dos passageiros, que montam a milhares e já viraram caso de polícia
em Fiumicino. Autoridades italianas pedem investigação das causas do caos (que
coincidência!), tendo um deputado local afirmado que a zorra nos aeroportos
italianos é “uma desgraça nacional”. Antes que a Veja e a Globo provem que a
culpa é de Lula, no meu mui fraco entender, eu digo que a culpa é do
neoliberalismo, que passou a régua na pouca inteligência sustentável do
capitalismo velho de guerra, elegendo o lucro absoluto, que implica na
sabotagem sistemática de produtos e serviços vendidos a preços cada vez mais
escorchantes.
Doris Gibson – por
correio eletrônico
Republicamos
Prezado Sr.
Hussein. Parece-me que a sua mensagem sobre a mesquita Al-Kuds distorce um
tanto a realidade. O que o Sr. quer dizer com “destruir uma prova importante
da existência da Palestina e do povo palestino”? A importância de Al-Kuds para
os muçulmanos da Terra Santa é clara e ninguém a nega. Agora, dizer que Israel
deseja destruí-la é falsificar a história. Se os israelenses a quisessem
destruir, já o teriam feito há muito tempo. Qualquer turista que visita o
local sabe que o contrário é a realidade. Não só os árabes muçulmanos como os
cristãos e judeus ganham dinheiro com o turismo na cidade velha de Jerusalém.
Fora isso, o seu uso dos termos ‘Palestina’ e ‘povo palestino’ não corresponde
à realidade. A ‘Palestina’ ou Terra Santa (para cristãos) ou Terra de Israel
(para judeus) é a terra de quem lá mora, seja qual for a origem do morador,
imigrante ou não. Até a década de 1950, os judeus de lá, durante o Mandato
Britânico, se denominavam palestinos. Ainda mais que os árabes locais, até
aquele momento, se identificavam como parte da grande Síria, província do
Império Turco desde o séc. XVI até o desmembramento daquele império na I
Guerra Mundial.
Jorge Ferreira –
por correio eletrônico
Nota da Redação:
Os fatos são os seguintes: não são poucos os israelenses fascistas que usam a
história hebraica como pano de fundo e se estribam na ocupação da Palestina
para vilipendiar, humilhar e provocar um povo cuja essência de sua luta é a
conquista de sua dignidade com o estabelecimento de um Estado soberano em sua
pátria. Há ativistas e mesmo organizações em Israel que advogam a destruição
de um dos templos mais sagrados do mundo islâmico, a mesquita Al Aqsa, para em
seu lugar ser reconstruído o templo do rei Salomão. Por outro lado, as
escavações por baixo da mesquita, na suposta busca por relíquias arqueológicas
com autorização e apoio financeiro do governo de Israel, além de uma
provocação clara de um Estado cuja prática central é o terrorismo contra o
povo palestino, é uma irresponsabilidade pois se elas provocarem o desabamento
de Al Aqsa, a revolta dos povos árabes será generalizada, atingindo judeus em
Israel e fora dela. Afinal o que não falta no perímetro de Jerusalém e por
todo o território onde se encontram Israel e Palestina são sítios
arqueológicos. Por que escavar sob a mesquita? Os judeus que emigraram para lá
desde o último quarto do século 19 até a implantação de Israel, desejavam
implantar Israel às expensas dos árabes palestinos que eram em número dez
vezes maior no país através de uma limpeza étnica planejada e cínica. Estes
colonos transplantados se achavam qualquer coisa menos palestinos. Quanto aos
árabes na Palestina tinham identidade nacional mesmo sob o jugo otomano e
buscavam todas as brechas legais para afirmar sua nacionalidade e avançar rumo
à conquista da soberania. Como destaca o professor da Unicamp, Dr. Mohamed
Habib, “o deputado Ruhi Al Khaldi, teve mandato de 1908 a 1912, isso nos
mostra que já naquela época, existia um parlamento na Palestina, composto de
representantes do Império Otomano e de palestinos. De 1906 a 1909, Faid Al
Alami, foi prefeito de Jerusalém, mostrando que era uma cidade árabe-palestina
sendo governada por um representante do mesmo povo.” Quanto à questão da
queima da mesquita Al Aqsa, em 1969, citada na carta por Hussein Hussein, ela
de fato ocorreu, e para ser preciso, foi um fato nebuloso perpetrado por um
australiano, Michael Dennis Rouhan, evangélico, considerando louco por um
tribunal israelense. Dennis se disse um “emissário de Deus” e que queria
queimar a mesquita para que o templo de Salomão pudesse ser reconstruído.
Interessante notar que quem correu a apagar o incêndio foram brigadas
palestinas e bombeiros jordanianos. As “autoridades de ocupação” ficaram
passivas diante do incêndio.