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Câmara do Rio homenageia Tonico

Solenidade na Câmara Municipal do Rio de Janeiro consagrou o dia 27 de agosto, data do atentado terrorista ao gabinete do vereador Antonio Carlos de Carvalho, em 1980, como o Dia do Legislativo carioca

Familiares, companheiros, amigos e lideranças políticas e dos movimentos populares lotaram o plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro na terça-feira para prestar uma justa e honrosa homenagem a Antonio Carlos de Carvalho (Tonico), verdadeira legenda da luta do povo brasileiro pela democracia e independência nacional, falecido em 26 de novembro de 1993. A sessão solene foi uma iniciativa da vereadora Aspásia Camargo (PV), autora da resolução que instituiu o 27 de agosto como o Dia do Legislativo carioca.

Nesse dia, em 1980, uma carta-bomba explodiu no gabinete do vereador Antonio Carlos de Carvalho, uma vã tentativa do fascismo em deter a avalanche da luta democrática, que tinha em Tonico um de seus principais expoentes. “Esse dia em que o poder legislativo, como órgão de representação popular, foi agredido pelas forças que não suportaram a democracia, foi um marco que tem que ser relembrado para que, mesmo quando mergulhados nas questões relevantes da cidade, nunca percamos a perspectiva maior do papel desta Casa”, disse Aspásia, que dirigiu o ato, após a abertura feita pelo presidente da Câmara, vereador Aloísio de Freitas (DEM). 

DEMOCRACIA 

Tonico foi um dos principais dirigentes do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8), organização a qual ingressou em 1968. O Brasil vivia, então, um dos períodos mais difíceis de toda a sua história. “Naqueles tempos, eles acreditavam que mandava quem podia e obedecia quem tinha juízo. Mas houve aqueles que não se dobraram. E a sua luta arrancou de volta cada espaço da democracia. Tonico foi um destes bravos”, afirmou Jorge Venâncio, membro do secretariado nacional do MR8.

A Câmara também homenageou o sr. José Ribamar de Freitas (assessor e tio de Tonico, mutilado no atentado de 27 de agosto de 1980), D. Lyda Monteiro (secretária da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), morta no atentado ocorrido na sede entidade, na mesma data), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e a OAB.

A filha mais nova de Tonico, Flávia Assis Carvalho, agradeceu a homenagem em nome dos seus irmãos Marcelo, Miguel, Valéria, Joana e Gabriel e demais membros da família, Olga Assis (viúva), Ana Rosa (ex-mulher), Manoel e Eneida (irmãos).

A homenagem ao Seu Freitas, como era conhecido, foi recebida pelo filho Luis Carlos Freitas. A de D. Lyda Monteiro, pelo neto André Bacil Monteiro Dias, que disse que sua vó “ser lembrada 27 anos depois da sua morte vai servir para que aqueles anos nunca se apaguem da memória dos brasileiros”. 

BRAVURA 

O presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, destacou a bravura de Tonico e frisou que o atentado terrorista afirmou a entidade como defensora da democracia: “A bomba endereçada a Seabra Fagundes [presidente da OAB, na época] mostrou que estávamos no bom caminho. E eu afirmo a vocês que a OAB não está ‘cansada’, continua na estrada na luta pela justiça social”.

O procurador-geral da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, Marcelo Cerqueira, lembrou que foi advogado de Tonico quando ele foi preso em 1968 no Congresso da UNE, em Ibiúna (SP). “Conseguimos um habeas-corpus, que foi um desafio da Justiça à ditadura militar. Tonico, com sua coragem ímpar, desafiava o poder com o documento no bolso”.

Maurício Azêdo, presidente da ABI, sublinhou que os atentados terroristas de 27 de agosto de 1980 foram precedidos de outros atentados, como o ocorrido na ABI, em 19 de agosto de l976, e contra as bancas de jornais, com o objetivo de intimidar os jornaleiros e impedir a venda da Hora do Povo, Movimento, Em Tempo, entre outros jornais de oposição. Ele parabenizou a iniciativa da vereadora Aspásia em “homenagear aqueles que participaram da luta pela liberdade e pela democracia”.

Para o presidente do Centro Cultural Antônio Carlos Carvalho (CeCAC), Marco Antônio dos Santos, a maior homenagem ao Tonico é “continuarmos as suas lutas”. O professor Luiz Werneck Vianna, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), destacou a importância do evento: “Temos que dedicar um minuto de reflexão para pensar como esta Casa pode se encontrar com a rica vida associativa que está se restabelecendo na nossa cidade”. Fizeram ainda uso da palavra os vereadores Eliomar Coelho (Psol) e Jorge Pereira (sem partido).

Após, a sessão solene, foi inaugurada a placa do Salão Nobre do Palácio Pedro Ernesto, que agora passa a se chamar Salão Vereador Antonio Carlos Carvalho.

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