Chinaglia:
“CPI da venda da TVA para a Telefônica
tem fato determinado”
O presidente da Câmara dos
Deputados, Arlindo Chinaglia (PT/SP), informou aos líderes partidários que a
Consultoria Jurídica da Casa avaliou que há fato determinado para a instalação
da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar a operação de
transferência de controle da TVA, operadora de TV a cabo do grupo Abril, para
a Telefônica, uma empresa estrangeira, o que é ilegal. Na reunião de líderes,
realizada terça-feira passada, Chinaglia disse que a CPI deve ser instalada à
luz da legislação vigente: “Não tenho alternativa. Tenho que cumprir o
regimento e a Constituição. Me parece que há fato determinado e que as
assinaturas conferem”.
O grupo Abril, responsável
pela publicação de “Veja”, que já contava embolsar quase R$ 1 bilhão para se
tornar laranja da Telefônica, entrou em parafuso com a perspectiva de uma CPI
para investigar a transação. Na edição (só para assinantes) de “Veja” da
semana passada, a revista do Bob Civita vem com a matéria – “O ataque da
corrupção” – em que acusou a criação da CPI de ser uma “vendeta”, com “a clara
intenção de intimidar não apenas a Abril mas toda a imprensa independente do
país”. Além de atacar os deputados que assinaram o pedido de investigação,
entre outras lideranças políticas, a matéria de “Veja” busca intimidar a
Câmara na tentativa de impedir que os termos da operação engendrada com a
empresa estrangeira sejam esclarecidos.
Para isso, apelou para sua
bancada tucano-pefelista e similares na Câmara para tentar abafar a CPI. Os
líderes do DEM/PFL na Câmara, Onyx Lorenzoni (RS), e do PSDB, Antonio Carlos
Pannunzio (SP), alternaram-se para atacar a criação da CPI alegando ser uma
iniciativa a favor do presidente do Senado, Renan Calheiros. Também Walter
Pinheiro (PT-BA), Miro Teixeira (PDT-RJ) e Chico Alencar (Psol-RJ) tentaram
botar panos quentes para evitar a criação da comissão.
Em resposta à acusação de
“Veja” de que os deputados que assinaram o pedido teriam “surrado a ética”, o
deputado Wladimir Costa (PMDB-PA), autor do requerimento pela CPI, disse que
“quem não deve não teme”. “A Veja sempre foi paladino da justiça e da
liberdade de imprensa, mas quando ela passa a ser acusada, não age da mesma
forma. A revista deveria dar uma capa com a manchete ‘Veja a Veja envolvida em
um escândalo’. Porque a transação vai se tornar um grande escândalo”,
completou.
“Veja” defende a transação
da Abril com o grupo estrangeiro dizendo que a operação não é uma novidade e
que já foi realizada anteriormente por outros veículos da mídia, o que não
corresponde aos fatos. Na sua matéria, a revista diz que as novas tecnologias
de convergência de voz, dados e imagens “foi pano de fundo não só do acordo
entre grupo Abril e Telefônica, mas de outros envolvendo empresas estrangeiras
que o precederam”. Cita como exemplo a aquisição de parte do provedor de
internet UOL, do grupo Folha, pela Portugal Telecom e a associação da Globopar,
controladora da Net, com a mexicana Telmex, dona da Embratel e Claro
(telefonia celular) como casos análogos ao da Abril/Telefônica. No entanto, ao
contrário do que alega a revista, neste dois exemplos as empresas observaram
as exigências legais quanto à distribuição das cotas de participação
acionária.