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Carlos Ramiro, presidente do Sindicato dos Professores de SP:

‘Valorização do professor é que garante a qualidade no ensino’

Presidente da Apeoesp denuncia que a “política baseada em prêmio” proposta pelo governo não resolve o caos em que se encontra a Educação no Estado de São Paulo onde “não existe escola que tenha um quadro de funcionários completo”

“Não vamos aceitar uma política baseada em prêmio. Salário digno, plano de carreira para o professor, formação continuada é o que garante a qualidade de ensino”, afirmou Carlos Ramiro, presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), em entrevista ao HP.

Nos últimos meses, entidades de professores, funcionários, supervisores e diretores de escolas do Estado de São Paulo realizaram uma série de mobilizações dos trabalhadores da área da Educação por medidas efetivas que garantam a valorização dos profissionais e a qualidade do ensino. No dia 24, uma manifestação em repúdio às políticas do governo do Estado para a educação pública reuniu cerca de 50 mil pessoas, partindo da Praça da Sé até a sede da Secretaria da Educação, na Praça da República.

“O governo apresentou uma proposta que não representa nada. Se as negociações não avançarem, faremos outra manifestação no dia 14 de setembro, maior que esta”, afirmou Carlos Ramiro, presidente da Apeoesp.

“Tornou-se praxe do governo do PSDB, nos últimos 12 anos, nos oferecer bônus no lugar de reajuste salarial. Eles não valorizam o professor”, destacou, em relação à proposta de bonificação por merecimento. “O governo estadual até agora não acenou com aumento e a nossa data-base é março. Fica apenas anunciando bônus e gratificações, o que não atende às necessidades da categoria, principalmente às dos professores aposentados”, afirmou Ramiro.

De acordo com o presidente da Apeoesp, “é necessária a valorização dos professores somada a um investimento sério na educação, investimento nas condições de trabalho”. “É preciso diminuir o número de alunos por sala, aumentar a permanência dos alunos na escola, o fim da aprovação automática, salas ambiente, investir nos funcionários. Não existe nenhuma escola em São Paulo que tenha um quadro de funcionários completo”, denunciou Carlos Ramiro.

Em Comunicado Oficial, a Apeoesp afirmou que “o governador e a Secretaria da Educação tentam ignorar o abandono e a situação precária das escolas públicas paulistas, mas professores e alunos da escola pública sabem que há um sucateamento da educação, pois todos os dias enfrentam superlotação de salas de aula, violência e até a ocupação de áreas reservadas a atividades pedagógicas, como quadras esportivas, por traficantes”.

Além disso, Ramiro destacou também o processo de municipalização das escolas feito no Estado, que “quebrou a rede pública, fragmentou o sistema de educação, e o deixou sem uma unidade pedagógica”.

Em relação à campanha salarial da Apeoesp, Carlos Ramiro disse que “estamos nos mobilizando nacionalmente pela aprovação do piso nacional, mas achamos que em São Paulo, tem que ser o do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) no valor de R$1.682,00”, ressaltou.

A mobilização nacional está sendo organizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), que convocou, na última quarta-feira, uma paralisação em favor do Piso Salarial Profissional Nacional. A proposta de R$ 950,00 para uma jornada de 40 horas foi apresentada pelo Governo Federal através do Plano Nacional de Desenvolvimento da Educação e está prevista para ser votada, até o dia 31, pela Comissão de Educação e Cultura da Câmara. 

JÚLIA CRUZ

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