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Locaute antinacional é repelido pelos trabalhadores bolivianos Confederação Obreira Boliviana, COB, repudiou atentados contra a Constituinte para “defender privilégios e interesses da oligarquia, como é o caso do latifúndio do banqueiro Marinkovic”, que comandou baderna na província de Santa Cruz O locaute de 24 horas convocado na Bolívia pela oposição golpista “fracassou na sua tentativa de paralisar seis departamentos do país e esteve caracterizada por atos de vandalismo. Foi uma ação forçada, parcial e violenta”, afirmou o governo, em comunicado difundido pela Agência Boliviana de Informações, ABI, na quarta-feira, dia 29. O presidente Evo Morales condenou os confrontos, mostrando que “não foram feitas reivindicações reais, isso faz parte de uma estratégia dos setores anti-nacionais para frear as mudanças e destruir a Assembléia Constituinte”. “Foi uma medida que não teve a resposta da população que os centros cívicos [organizações financiadas por multinacionais, latifundiários e banqueiros] pretendiam. Se eles fossem minimamente honestos reconheceriam que o povo boliviano apóia as mudanças que o governo encaminha e não se identifica com o golpismo, e muito menos com a oligarquia”, assinalou o porta-voz da Presidência, Alex Contreras. Esses setores, ligados economicamente às multinacionais estrangeiras, que exploravam de forma ilimitada os hidrocarbonetos antes da nacionalização promovida por Evo, convocaram seus simpatizantes para tumultuar as atividades produtivas e comerciais nos departamentos de Santa Cruz, Tarija, Beni, Pando, Chuquisaca e Cochabamba. O pretexto foi protestar contra a exclusão, por parte dos deputados, da agenda da questão de transferir a capital de La Paz para Sucre (Chuquisaca) da Assembléia Constituinte. Tirar a capital de La Paz, onde vive a maior parte da população, a maioria dos trabalhadores, que respaldam as mudanças populares propostas por Evo, tem sido um dos intentos dos separatistas para tentar impedir que a Constituinte debata as transformações que a Bolívia realmente necessita e que vai desde a Re-forma Agrária até o fortalecimento do Estado e do planejamento econômico. Os idealizadores do locaute também queriam impedir o julgamento de quatro membros do Tribunal Constitucional por prevaricação (ver matéria abaixo). Segundo informações veiculadas pela ABI, nas capitais Santa Cruz, Cochabamba, Trinidad e Tarija, foram paralisadas em 50% as atividades e isso apenas nas regiões centrais destas cidades, onde houve ações de grupos violentos, financiados pelas prefeituras. Em Cobija e Sucre a maior parte das atividades se desenvolveram normalmente. No interior das províncias, a greve não atingiu 10% das atividades. Diante do repúdio da população e da maioria das organizações sociais e políticas do país, os grupos separatistas apelaram para ações de vandalismo “cometidos em estado de embriaguez”, declarou Contreras. Os integrantes da União Juvenil de Santa Cruz, grupo fascista de choque sob orientação de setores da direita dessa província, apedrejaram lojas e restaurantes, destruíram carros e tentaram perpetrar saques, sendo controlados pela população e pela polícia. “Há vários latifundiários que arrecadam fundos para a formação de grupos clandestinos para agir contra a reforma agrária. Isso não tem nada a ver com a defesa da democracia que apregoa essa oposição”, ressaltou o ministro de Governo, Juan Ramón Quintana, coincidindo com a avaliação da Confederação Obreira Boliviana, COB, que frisou que “quem tenta desestabilizar o governo só defende os interesses da oligarquia, como o latifúndio do presidente do comitê cívico de Santa Cruz, o banqueiro Branko Marinkovic” . A COB, e a Confederação Única de Trabalhadores Camponeses da Bolívia, denunciaram que “essa é uma greve para brecar o processo revolucionário, e é parte de ações racistas e discriminatórias dos que não querem perder seus privilégios”. A Confederação de Indígenas do Oriente Boliviano, Cidob, e a Central de Povos Indígenas de Santa Cruz, Cepes, anunciaram que “a população desta região não permitirá que se atente contra a Assembléia Constituinte, que reivindicamos desde 1990 e só agora, com o governo de Morales, começou a realizar seu trabalho de democratizar a vida do país e permitir as mudanças que nosso povo tanto necessita SUSANA SANTOS |