Morales denuncia o
embaixador dos EUA por financiar
golpistas
O presidente Evo Morales denunciou “ingerência dos
Estados Unidos nos assuntos políticos da Bolívia”, para impedir as mudanças
que seu governo impulsiona. Em reportagem publicada no jornal La Prensa de
domingo, dia 26, Evo revelou que a embaixada de Washington em La Paz “realiza
trabalho conspirativo e financia a assessores da agremiação política Podemos
[principal partido de oposição] para desestabilizar a administração
socialista”. Acrescentou que governadores dos departamentos (Estados) que
conspiram, também “contam com a participação da embaixada dos Estados Unidos”.
O chefe de Estado destacou que “o governo norte-americano
está oferecendo dinheiro até a membros do governo para tentar frear o atual
processo de transformação”, em encontro que teve com entidades sociais.
“Temos paciência, não sei até quando agüentará essa
paciência, mas também temos dignidade e tomaremos decisões radicais contra
esses embaixadores que provocam permanentemente”, disse Morales em reunião
realizada no dia 27, com pessoal diplomático do país, se referindo, em
particular, ao norte-americano Philip Goldberg.
O vice-presidente Álvaro García Linera assegurou que “os
Estados Unidos financiam grupos opositores ao governo através de fundos que
às vezes chegam como ‘ajuda produtiva’ e outras como ‘componente político’.
Essa é a fachada. Oxalá que fosse ajuda. É financiamento de centros a partir
dos quais se elaboram ações contra o país”.
“É muito justo e respaldamos que o governo ponha os EUA
em seu devido lugar, que sob a justificação de ajuda, interfere e questões
internas, viola a soberania e a dignidade dos bolivianos”, manifestou Nicanor
Baltazar, dirigente da COB.