Cerca de mil pessoas lotaram no último dia 26 o auditório
do Centro de Convenções Cidade Nova, na capital fluminense, em audiência
pública para discutir o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório do Impacto
Ambiental (EIA-RIMA) para a construção da usina Angra 3.
Com faixas e bandeiras em apoio à construção da usina,
representantes de diversas entidades e sindicatos participaram do debate,
entre eles o Movimento Pró-Angra 3 - formado por associações de moradores e
sindicatos -; a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB),
representada por Marco Vinício Gomes Pedro (presidente da CGTB-RJ); a
Confederação das Mulheres do Brasil (CMB); a Federação das Mulheres
Fluminenses; o Clube de Engenharia; o deputado federal Luiz Sérgio, líder do
PT na Câmara; o deputado estadual Carlos Minc; a vereadora Aspásia Camargo;
o prefeito do município de Rio Claro, Didácio Pena; o presidente do CREA-RJ,
Reynaldo Barros, além de diretores da Eletronuclear. O governador do Rio de
Janeiro, Sérgio Cabral, encaminhou carta de apoio à construção da usina.
Alguns integrantes do Greenpeace, grupo sediado em Amsterdam, Holanda,
estiveram presentes para protestar contra Angra 3, mas ficaram completamente
isolados diante das manifestações em favor da construção da usina nuclear.
Presidida pelo diretor de licenciamento do Ibama, Roberto
Messias Franco, a audiência durou mais de seis horas devido ao grande número
de oradores defendendo o projeto e esclarecimento de dúvidas formuladas
pelos presentes. Ao defender a construção de Angra 3, o deputado Luiz Sérgio
mostrou que a oferta de mais energia é fundamental para o desenvolvimento do
país, alertando que muitos brasileiros ainda precisam ser tirados da miséria.
Gláucia Morelli, diretora da CMB, conclamou o plenário a “cerrar fileiras em
defesa do monopólio estatal de urânio”, destacando que o Brasil tem a 6ª
maior reserva de urânio do mundo e desperta a cobiça estrangeira..
Representando o Clube de Engenharia, Ricardo Latgé
reportou-se à carta enviada ao encontro pelo presidente da entidade, Heloi
Moreira, enfatizando “a importância desse empreendimento no futuro
energético do Brasil, assim como sua contribuição no domínio da tecnologia
nuclear”, afirmando que a “sociedade civil tem participado amplamente dos
debates e discussões em todos os âmbitos”, lembrando que o Clube de
Engenharia promoveu “recente reunião aberta com mais de 400 representantes
da sociedade”.
A procuradora do Ministério Público Federal, Ariana
Guebel de Alencar, defendeu que a decisão sobre a construção fosse remetida
ao Congresso Nacional, mas foi contestada pelo diretor da Eletronuclear Luiz
Soares, que esclareceu que a autorização já tinha sido dada pelo Congresso,
quando da aprovação de Angra 1 e 2, pois a 3 faz parte do mesmo projeto. Na
verdade, segundo o colunista George Vidor, conforme matéria publicada, “se o
acordo assinado com a Alemanha, em 1975, tivesse sido cumprido, pelo menos
nove usinas nucleares estariam hoje em funcionamento no Brasil”, segundo
ele, isto não aconteceu porque “o Estado quebrou e não teve condições de
levar adiante os projetos grandiosos”, daquela época.
A construção de Angra 3 já foi discutida em 17 reuniões
prévias realizadas nos municípios de Angra dos Reis, Paraty e Rio Claro,
além de outras três audiências públicas realizadas em cada um dos três
municípios localizados nas cercanias do Complexo Nuclear Almirante Álvaro
Alberto, onde estão instaladas Angra 1 e 2 e, futuramente, Angra 3.
O projeto de Angra 3 foi detalhado pelo superintendente
de Gerenciamento de Empreendimentos da Eletronuclear, Luiz Manuel Messias,
que esclareceu já estar disponível a maior parte do projeto de engenharia a
ser adotado, já que a usina será igual a Angra 2. Enfatizando a importância
da construção da nova usina para a diversificação da matriz energética
nacional, o diretor da estatal destacou que o empreendimento contribui para
o fortalecimento da indústria nacional e a geração de empregos. Segundo a
Eletronuclear serão gerados 9 mil empregos diretos e 15 mil indiretos
durante as obras, privilegiando a contratação de mão de obra nos municípios
da região.
A MRS Estudos Ambientais, empresa consultora responsável
pela elaboração do EIA-Rima, apresentou o relatório dando seu parecer sobre
a viabilidade ambiental do projeto, concluindo que a construção de Angra 3
não apresenta impacto significativo, justificando que a experiência de
gerenciamento da Eletronuclear em Angra 1 e 2 garante a confiabilidade e a
segurança do projeto.
IRAPUAN SANTOS - SUCURSAL RIO