Aumento das importações reduz superávit da balança comercial

A crescente desvalorização do dólar, estimulada pelos juros altos praticados pelo Banco Central, fez encolher o superávit comercial em novembro. Segundo o Ministério da Indústria e Comércio Exterior, o saldo da balança no mês passado foi positivo em US$ 2,027 bilhões, o menor registrado desde abril de 2004, de US$ 1,971 bilhão.
Com a taxa básica de juros mantida em 11,25% o BC estimula a entrada desenfreada dos especuladores, que trazem uma enxurrada de dólares para especular com títulos remunerados pela Selic sobrevalorizando a moeda nacional, reduzindo a capacidade de exportação do empresariado brasileiro e, ao mesmo tempo, estimulando as importações.

“O principal fator é o aumento das importações, que tem o dólar como um fator indutor. Isso faz com que as empresas brasileiras passem a consumir mais produtos importados, mesmo tendo um similar nacional. Isso, naturalmente, reduz o superávit”, avaliou o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro.

Em novembro, as importações somaram US$ 12,025 bilhões, um aumento de 38,9% em comparação com novembro do ano passado. A importação de bens de capital cresceu 47,1% nesta base de comparação. As compras externas de matérias primas e bens intermediários cresceram 39,1%; bens de consumo 36,8% e combustíveis e lubrificantes 31,9%.

As exportações em novembro totalizaram US$ 14,052 bilhões, puxados pelas vendas ao exterior dos manufaturados, responsáveis por US$ 7,528 bilhões; produtos básicos, US$ 4,276 bilhões e semimanufaturados, com US$ 1,938 bilhão.

No acumulado do ano – entre janeiro e novembro, a balança comercial apresenta superávit de US$ 36,4 bilhões, queda de 12,1% em relação ao mesmo período de 2006, quando o saldo positivo foi de US$ 41,4 bilhões.


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