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Rússia decide seguir rumo do desenvolvimento e soberania Partido de Putin obteve a maioria nas eleições de domingo e deverá ocupar 318 das 450 cadeiras da Duma. O Partido Comunista ocupará 50
O início da recuperação do Estado, esmigalhado pela entrega da propriedade pública depois da quebra da União Soviética - particularmente durante o governo de conluio com mafiosos de Boris Ieltsin- foi um dos fatores que determinaram a vitória do partido do governo. DUMA De fato a gigantesca economia construída através da experiência socialista da União Soviética havia sido solapada pelos que a renegaram. Não há dúvida de que o governo Putin não significa que tenha sido retomada da democracia soviética mas sua gestão foi capaz de conferir maior estabilidade à economia, por uma política externa soberana e independente que colocou limites à política intervencionista da OTAN a serviço dos EUA e iniciou recuperação do poder aquisitivo da população. Com 98% dos votos computados, a informação fornecida pelo presidente do órgão, Vladimir Churov, é de que em segundo lugar ficou o Partido Comunista da Federação Russa, dirigido por Guenadi Ziuganov, com 11,6% da votação, mais de 7 milhões de votos. O Partido Liberal Democrático, de Jirinovsky, obteve 8,2%, e a agremiação Rússia Justa, 7,8%. Nenhum dos outros partidos participará da Duma (Parlamento), que conta com 450 cadeiras, por não ter conseguido superar o 7% da votação que estipula a legislação russa. Os partidos Yabloko (1,6%) e a União de Forças de Direita (1%) estão fora. Os grupos Outra Rússia, de Garry Kasparov e o Partido Nacional-Bolchevique, não conseguiram preencher os requisitos para obter o registro necessário e poder participar nas eleições. Com estes resultados, o partido de Putin deverá ficar com cerca de 318 cadeiras e os comunistas, 50. “Estas eleições mostram que temos uma situação política e econômica estável, depois de um período que paralisou nosso país e tivemos ameaças até de desintegração do nosso território, e a principal garantia desta estabilidade é o corajoso povo russo”, afirmou Putin, na segunda-feira, em reunião com membros de governo, no Kremlin. O nível de participação na eleição situou-se em 63% dos 109 milhões de russos com condições de voto, ou seja, 6 pontos acima das legislativas anteriores, em 2003. Vladimir Putin imple-mentou uma política para superar o caos econômico que se instaurou depois do fim da URSS. Depois de voltar a nacionalizar efetivamente o setor energético colocando-o de novo sob controle do Estado, impulsionou uma política exterior em função dos interesses do país. Já em 2005, a Rússia se transformou no segundo exportador de petróleo no mundo. É o maior produtor de gás natural do planeta, e três quintos de suas exportações de gás vão para os 27 membros da União Européia. Em 2006, as reservas em moeda estrangeira da Rússia chegaram a 315 bilhões de dólares, em comparação com os raquíticos 12 bilhões que detinha em 1999. Ao longo dos anos noventa, milhões de russos perderam seus empregos. Suas poupanças e muitas moradias se perderam, já que a inflação triplicava em alguns períodos os preços dos produtos de consumo. Muitos trabalhadores sequer recebiam seus salários. A esperança de vida desceu de 72 a 50 anos. A mortalidade infantil chegou a ser cinco vezes maior que no resto da Europa. MÁFIA A máfia que tomou conta do governo no início dos 90 sucateou o Estado. Basta lembrar Mikhail Khodorkovski que ficou com 78% da Yukos, a segunda companhia petroleira da Rússia e a quarta em nível mundial, por uma fração de seu valor real, 350 milhões de dólares, gigante energético que esteve avaliado em 40 bilhões de dólares. Hoje está preso e a empresa está em processo de recuperação pelo Estado. Outro exemplo do assalto ao patrimônio do país é o foragido Boris Berezovski, recentemente condenado pelo assalto da empresa de aviação Aeroflot, da qual roubou mais de 56 milhões de dólares e ainda a empresa de carros Lada, a maioria das ações da petroleira Siberneft, a rede de televisão ORT, bancos, etc. O mafioso, residente em Londres, onde conseguiu asilo político com o ex-primeiro-ministro Tony Blair, lava milhões de dólares através de arapucas como a conhecida MSI, que parasitou times como o Corinthians. Nos últimos anos, recuperando o controle das riquezas do país, o crescimento econômico se manteve em cerca de 7% do PIB ao ano. Em 2006, a inflação foi controlada e não ultrapassou os 10% e se iniciou uma recuperação do salário dos trabalhadores, problema que ainda afeta mais de 35% dos trabalhadores que recebem menos de um salário mínimo. SUSANA SANTOS
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