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O presidente Chávez quando dirigiu-se ao país e
reconheceu a vitória do “Não”:
“A Venezuela vive em liberdade e oxalá a oposição se integre”
Chávez afirmou que uma das conquistas do debate travado sobre a reforma é
que a oposição chegou a
defender a Constituição de 1999, postura que disse esperar que não seja só
“um recurso momentâneo”
Em discurso em cadeia nacional de rádio e TV, ainda na
madrugada de domingo para segunda-feira, 3, o presidente Chávez reconheceu
com tranqüilidade o resultado do referendo sobre a a lteração
de 20% da Constituição e agradeceu e felicitou “àqueles que votaram pela
minha proposta e aqueles que votaram contra”. Dirigindo-se a esses, o
presidente destacou que eles puderam comprovar “que esse é o caminho, e
oxalá que se esqueçam da desestabilização”. “O povo venezuelano goza de
plenas liberdades”, acrescentou.
“Perante o país eu digo: prefiro assim”, afirmou Chávez,
assinalando que o povo venezuelano “não merecia” viver momentos de tensão
por causa da votação apertada. “Por agora não pudemos”, afirmou, retomando
sua frase histórica de 4 de fevereiro de 1992. “Por agora”, quando parecia
que o levante contra o neoliberalismo havia fracassado, a frase que o elevou
à condição de herói para milhões de venezuelanos desvalidos. “Estejamos
tranqüilos e orgulhosos do que temos feito, respeitando uns aos outros, foi
melhor assim”, ressaltou o presidente.
INSTITUIÇÕES
O “não” venceu por uma estreitissima margem – 50,7% a
49,29% - como anunciou no domingo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE). “Cada
processo desta jornada eleitoral vai permitindo que nossa democracia
continue amadurecendo”, assinalou Chávez, acrescentando que o resultado “é
mais uma mostra da credibilidade das nossas instituições”. O discurso de
Chávez foi transmitido direto do Palácio Miraflores, em Caracas. Ele
convidou a oposição para que, no marco da Constituição vigente, “continuemos
construindo uma Venezuela que vem se fortalecendo política, social, moral,
territorialmente”.
Dirigindo-se aos seus correligionários, o presidente
afirmou: “Não se sintam tristes, eu lhes digo que diante de uma situação
como esta que vivemos, diante de uma diferença tão mínima que afinal
tornou-se irreversível, eu prefiro assim, que tenha terminado assim. Eu não
quero vitórias pírricas”, ressaltou. “Com o coração digo a vocês que por
horas estive em um dilema. Saí do dilema e já estou tranqüilo, espero que os
venezuelanos também”, apontou Chávez. Ele acrescentou, ainda, que o
resultado do referendo mostra que a democracia venezuelana “está
amadurecendo”, e prova que ele é um “democrata”.
O presidente convidou os gru pos
que se empenharam em impor planos como a “Operação Torquês” e a “Guarimba” a
abandonarem tais ações. “Amadureçamos politicamente, enfrentemos os
processos que se seguirão com uma convicção democrática de que estamos em
uma democracia. Aqui não há ditadura alguma”, insistiu. Chávez manifestou
que uma das conquistas do debate travado sobre a proposta é que a oposição
chegou a reconhecer e defender a Constituição de 1999, postura que disse
esperar que não seja só “um recurso momentâneo ou eleitoreiro”.
Para Chávez, a enorme abstenção, causada pela campanha de
amedrontamento e desinformação movida pela oposição, foi o fator
preponderante para o resultado. Possivelmente, a confusão gerada pelo fato
de serem dois blocos de leis a serem referendadas também contribuiu. O
segundo bloco da reforma foi rejeitado por 51,05% dos votos a 48,94%. Foram
4.504.354 milhões de votos do “não”, contra 4.379.392 milhões do “sim”. Foi
a primeira eleição, em onze, em que Chávez perdeu, ainda que por estreita
margem. Como assinalou o presidente, três milhões que votaram com a
revolução no pleito de 2006 dessa vez se abstiveram.
Chávez também agradeceu a presença de jornalistas e
observadores internacionais de mais de 50 países. O referendo foi
fiscalizado por 100 mil pessoas, tanto do “sim” como do “não”. Foram mínimos
os incidentes durante a votação. No sistema venezuelano, o voto eletrônico é
conferido por meio da abertura de 54% de votos impressos, que ficam
armazenados. Quanto aos passos propostos para os avanços, o presidente
reiterou que “quero que saibam que não retiro uma vírgula sequer desta
proposta”. “Continuo fazendo a proposta ao povo venezuelano, proposta que
segue viva”, manifestou. Para Chávez, o fato de que 49% dos votantes haja
respaldado o projeto socialista representa “um grande salto político” na
construção do novo modelo socialista. Nesse sentido, afirmou, continua a
construção do socialismo, no marco da Carta Magna em vigor. Ele destacou que
a reforma constitucional proposta contém idéias “muito audazes”, como a
jornada diária de trabalho de seis horas, a nova geopolítica do poder e a
nova concepção econômica.
ANTONIO PIMENTA
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