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Novo
relatório da espionagem dos EUA
desmente Bush sobre “bomba” do Irã
Uma nova avaliação feita pelas 16 maiores agências de
espionagem dos EUA “concluiu que o Irã suspendeu em 2003 seu programa de
armas nucleares” e que o programa está congelado, “contradizendo uma
avaliação de dois anos atrás” de que Teerã estava “trabalhando
inexoravelmente para construir uma bomba [atômica]”, afirmou o “New York
Times”. Aliás, contradizendo Bush e seu vice Cheney. A nova “estimativa”
veio acompanhada de uma declaração em separado do vice-diretor nacional de
inteligência, Donald Kerr, de que “dadas as novas conclusões”, é importante
lançar o relatório publicamente, “para assegurar que uma apresentação
acurada esteja disponível”.
A assim-chamada N.I.E. (Estimativa Nacional de
Inteligência) considera “pouco clara” qual seja intenção de Teerã de obter
armas nucleares e afirma que as decisões do Irã “são guiadas mais por
custo-benefício que por uma corrida às armas nucleares sem se importar quais
sejam os custos políticos, econômicos e militares”. A “estimativa” também
analisa que “algumas combinações intensificadas de pressões e escrutínio
internacionais, junto com oportunidades para o Irã atingir sua segurança,
prestígio e metas de influência regional poderiam – se percebidos pelos
líderes iranianos como críveis – conduzir Teerã a estender a atual
interrupção do seu programa de armas nucleares”. O novo relatório aparece
cinco anos após um N.I.E. profundamente fraudado concluir que o Iraque
possuía programas de armas químicas e biológicas e que estava determinado a
reiniciar seu programa nuclear.
O novo N.I.E. considera “improvável” que o Irã obtenha uma
arma nuclear “antes de 2013”, por causa de “problemas técnicos e de
programação previsíveis”, enquanto que o anterior, de 2005, estabelecia “com
alta confiança” que o Irã estava determinado a ter armas nucleares e
concluía: “tem um programa de armas nucleares secreto. Mas, como de hábito,
o N.I.E. das 16 agências de espionagem de Bush deixou a porta aberta para o
retorno às ameaças e manipulações, afirmando que, no entanto, “a derradeira
meta do Irã ainda é desenvolver a capacidade de produzir armas nucleares”.
Assim como a declaração, enfatizada pelo NYT, do conselheiro de segurança
nacional de Bush, Stephen Hadley, de que “estávamos certos em nos
preocuparmos sobre o Irã desenvolver armas nucleares” e de que “o risco de o
Irã adquirir armas nucleares permanece um problema muito sério”. Para
completar, remendou o informe do diretor-geral da Agência Internacional de
Energia Atômica, Mohamed El Baradei, para dar a impressão de que este havia,
de algum modo, insinuado a possibilidade dessas armas. A.P.
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