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Diretora do Programa Nacional
de DST e Aids rebate porta-voz dos monopólios farmacêuticos
“Somos sim
referência na área, apesar do que o doutor Gallo diz”, afirmou a diretora do
Programa Nacional de DST e Aids, Mariân- gela Simão, acerca das declarações
dadas pelo virologista norte-americano Robert Gallo. Em entrevista, Gallo,
representante dos interesses das grandes empresas farmacêuticas, negou que o
Brasil seja um modelo internacional de combate à Aids. “Por que vocês seriam
referência pra mim? Talvez sejam um modelo para a África do Sul” ironizou o
virologista. Gallo é conhecido por fraudar a descoberta do vírus da doença,
quando na época do estudo, contaminou suas amostras com um vírus enviado
pelo Instituto Pasteus de Paris, chefiado por Luc Montaigner, e o patenteou.
Em resposta ao
americano, Mariângela Simão destacou o reconhecimento que o Brasil
conquistou no combate à doença. Segundo ela, o país é referência “tanto para
Organização das Nações Unidas (ONU), quanto para as organizações da
sociedade civil e governos de outros países”, declarou. “Isso só foi
possível porque o Brasil tem capacidade de negociação, postura firme. Isso é
ser referência” afirmou.
Segundo Simão, o
Brasil se destacou recentemente, entre outros fatores, por determinar a
quebra da patente do antiretroviral Efavirenz, da Merck, com o intuito de
baixar os custos do medicamento que vinha sendo importado com preços acima
da média internacional. “Estávamos comprando o remédio a US$ 1,59 cada
comprimido e o laboratório propôs que pagássemos US$ 1,56. Com o
licenciamento, estamos importando o comprimido a US$ 0,44”, afirmou a
diretora, contrariando o posicionamento de Robert Gallo, que afirma que se o
país “não trabalhar com os genéricos de um modo com que as indústrias de
remédios concordem, ela podem ir embora”.
A diretora
afirmou que existem motivos para o “sucesso” do Brasil no combate à Aids. O
primeiro deles é a opção do país em distribuir gratuitamente os medicamentos
aos pacientes. Outro fator para o “sucesso” do Brasil contra a Aids são as
campanhas de prevenção da doença junto à população. “Falar em prevenção,
fornecer preservativos, não era comum em países em desenvolvimento, até
recentemente. No Brasil, isso ocorre desde o começo da epidemia”, declarou.
Simão ainda destacou outras
áreas em que o Brasil se sobressai no combate ao HIV. Segundo ela, o país
possui atualmente 25 projetos de cooperação técnica internacionais e doa
remédios genéricos para Aids produzidos aqui para mais de 10 países. Além
disso, o país sedia desde 2005 o Centro Internacional de Cooperação Técnica
em HIV/Aids, uma parceria entre o governo brasileiro e a Unaids (Programa
das Nações Unidas sobre Aids, sigla em inglês).
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