“Venezuela seguirá aprofundando as mudanças com democracia”
Chávez destacou, em
entrevista à Venezuelana de Televisão, os avanços na transformação da “dura
realidade de pobreza e falta de liberdade” que atingia o povo venezuelano e o
“aprofundamento das conquistas da República Bolivariana”
“Nós
estamos há 8 anos neste caminho de transformar a dura realidade de pobreza e
falta de liberdade que tinha nosso povo, nos aprofundando no conteúdo da
construção da República Bolivariana”, assinalou o presidente Hugo Chávez, depois
de divulgado o resultado do referendo sobre o aperfeiçoamento da Constituição.
“Convido a todos”, prosseguiu, “inclusive à oposição que agora reconheceu esta
Constituição aprovada em 1999, e declarou defendê-la, com as nossas instituições
como base, com a velocidade que ela nos permite, com a profundidade que bem
podemos continuar aplicando, democraticamente, com as perspectivas no horizonte;
que continuemos construindo uma Venezuela que, apesar de que alguns se obstinam
em negá-lo, nos últimos anos veio se fortalecendo política, econômica e
socialmente, se fortalecendo territorialmente, moralmente inclusive”.
MEDIDAS
Em
entrevista ao programa de televisão conduzido pelo ex-ministro de Educação,
Aristóbulo Istúriz, no canal Venezuelana de Televisão, na tarde de
segunda-feira, Chávez afirmou que “temos que avaliar com rigor os problemas que
tivemos, que nos levaram à vitória pírrica do Não, por 1,4% dos votos, mas os
programas do governo continuam. Medidas, algumas delas audazes, que propusemos,
são possíveis nos marcos da Constituição em vigor, como a jornada de seis horas,
a propriedade social, a propriedade comunal, a construção de conselhos dos
trabalhadores. Algumas delas com menor intensidade”.
“Os
conselhos comunais ainda quando não estão na Constituição são uma realidade, a
geometria de poder despertou, vamos seguir trabalhando nisso, avaliando como
fazer no marco da Constituição, até onde seja possível”, ressaltou, sublinhando
que deve ser da mesma forma que “um piloto acelera progressivamente e pode
determinar quando pode, ou não, acelerar mais”.
CONVOCAÇÃO
“Os
dirigentes sindicais, de várias orientações e opiniões, já estão discutindo
medidas que estavam contidas na proposta de modificação constitucional como a
redução da jornada de trabalho, a criação do Fundo de Estabilidade Social para
Trabalhadores por Conta Própria, os conselhos operários”, informou o presidente,
dizendo que “buscaremos as formas de garantir um sistema de seguridade social
justo, que certamente será mais lento porque não vamos nos iludir com as
declarações de ‘reconciliação’ da Fedecá-maras [entidade patronal que participou
ativamente do golpe fracassado de 2002]. Falaram que assistirão à reunião
convocada pelo ministério de Trabalho do próximo 4 de janeiro. Vamos ver”.
Na
terça-feira, em conversa com o jornalista Mario Silva, da rede Venezuelana de
Televisão, Hugo Chávez convocou a todos que o apóiam e à oposição a continuar
debatendo. “Da minha parte, eu continuo preparando planos, preparando a viagem
para Argentina onde vamos assinar os documentos de fundação do Banco do Sul e,
logo depois, participarei da posse da presidente Cristina Kirchner. Estamos
criando empresas, avançando na questão petroleira, na indústria petroleira, nos
preparando para fechar o ano da melhor maneira e entrar firme em 2008”, relatou.
Acrescentou que tinha acabado de assinar o decreto de criação da empresa mista
de caminhões e a fábrica de tratores da Venezuela com a Bielorússia, parte da
visita que o chefe de Estado desse país, Alexander Lu-kashenko realizará em
breve a Caracas.
SUSANA SANTOS