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A Venezuela não é a Flórida
Em seu
artigo “A Venezuela Não é a Flórida”, publicado no dia 5 de dezembro, Mark
Weisbrot, co-diretor do Centro de Pesquisas Políticas e Econômicas, comparou
a democracia venezuelana com os Estados Unidos, onde Bush foi “eleito” em
duas eleições enlameadas pelas mais variadas comprovações de fraude. A
seguir, a íntegra do artigo:
Chávez
parabenizou os adversários pela vitória. Eles haviam derrotado sua proposta
de reforma constitucional, incluindo a abolição de limite para mandatos
presidenciais.
Ninguém
deveria ficar surpreso pela atitude imediata de Chávez: a Venezuela é uma
democracia constitucional e o seu governo permanece dentro das regras
democráticas desde sua primeira eleição em 1998. A despeito da não-renovação
de um grande canal de televisão em maio, – que com certeza não obteria
licença em qualquer outro país democrático – a Venezuela ainda possui a
maior mídia de oposição do hemisfério.
Porém, a
mídia dos EUA induziu à maioria dos norte-americanos que a Venezuela é algum
tipo de ditadura ou algo próximo de uma ditadura.
DESINFORMAÇÕES
Algumas
dessas desinformações acontecem por mera repetição e associação – assim como
70% dos norte-americanos estavam convencidos, antes da Guerra do Iraque, que
Sadam Hussein era o responsável pelos massacres de 11 de setembro. Nesse
caso, a mídia nem mesmo acreditava na mensagem, mas de alguma forma foi em
frente e forneceu justificativas para a guerra.
No caso da
Venezuela a mídia é pró-ativa, com editoriais inteiramente exagerados e
ávidos, artigos de notícias que muitas vezes parecem editoriais e com uma
grande ausência de equilíbrio em sua fontes e na importância dos assuntos.
Mas a
Venezuela não é o Paquistão. De fato não é a Flórida ou Ohio também. Uma das
razões para que Chávez pudesse confiar no resultado da contagem dos votos é
que a Venezuela possui um sistema muito seguro de votação. Muito diferente
dos EUA onde milhões de cidadãos lançam votos eletrônicos sem registro no
papel. Os venezuelanos marcam seus votos em um computador, que registra o
voto e depois imprime-os. O eleitor então o deposita nas urnas. Uma grande
contagem aleatória – cerca de 54% - dos votos de papel são contados e
comparados com o resultado eletrônico.
Os dois
sistemas de contagem são uma sólida garantia contra a fraude eletrônica.
Qualquer tipo de fraude teria que burlar as máquinas e as urnas para parecem
semelhantes – um truque que abusa da imaginação.
Em 2007,
os venezuelanos foram mais uma vez vice-líderes de toda a América Latina na
porcentagem de cidadãos que estavam satisfeitos ou muito satisfeitos com a
democracia, de acordo com a prestigiada instituição de pesquisa
Latinobarômetro – 59%, muito acima da média da América Latina, de 37%.
Não é
apenas a segurança das eleições responsável por esse resultado – é também o
cumprimento das promessas do governo de dividir a riqueza gerada pelo
petróleo com os pobres e com a maioria. Para a maioria das pessoas – ao
contrário dos especialistas daqui – votar por algo e realmente obter
resultados pelo que votou é também uma importante parte da democracia.
O governo
Bush tem procurado consistentemente a mudança de regime da Venezuela, mesmo
antes de Chávez começar a regularmente denunciar o ‘Império’. De acordo com
o Departamento de Estado, Washington financiou líderes e organizações
envolvidas no golpe que brevemente derrubou o governo democraticamente
eleito, em abril de 2002. O ‘The Washington Post’ relatou essa semana que o
governo Bush financiou grupos estudantis anônimos, presumivelmente de
oposição, até, e incluindo, esse ano.
A
Venezuela precisa ser vista como não-democrática, e Chávez como um agressor
contra os EUA, para justificar os objetivos do governo Bush de mudar o
regime. Assim como na corrida pela guerra do Iraque, a maioria da mídia está
avançando nas metas do governo, independente das intenções individuais dos
jornalistas.”
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