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Lula vai articular base do
governo para aprovar na Câmara projeto de legalização das Centrais
Após
o êxito no Senado, a luta das centrais sindicais pela aprovação do projeto
de lei que as legaliza obteve mais uma vitória na última quarta-feira com o
comprometimento do presidente Lula em articular a base do governo na Câmara
para aprovar o projeto na forma em que foi encaminhado após a tramitação no
Senado.
Lula declarou seu apoio público à matéria ao
discursar na audiência com os dirigentes sindicais, ocorrida após a Marcha.
O presidente também criticou a emenda feita pelo deputado Augusto Carvalho (PPS/DF),
que tentava acabar com a compulsoriedade da contribuição sindical e disse
que isso “foi um erro que muitos deputados cometeram, porque [a emenda] foi
apresentada de última hora”. O presidente relembrou sua posição sobre o
tema, mas defendeu o acordo feito com as centrais e considerou “inconcebível
acabar com o imposto sindical para os trabalhadores e deixá-lo para os
empresários”.
Depois de passar pela Câmara, onde sofreu
modificações, o projeto foi remetido ao Senado que, por unanimidade,
resgatou a maior parte da forma original. Agora o texto retorna à Câmara,
mas em outro patamar, isto é, com a chancela de todos os partidos do Senado,
com a base aliada em estado de alerta e ancorado na força de uma gigantesca
marcha realizada pelas centrais.
Bastante descontraído, o encontro foi o ponto
alto da Marcha. Coube ao ministro da Secretaria-Geral, Luiz Dulci, anunciar
que o governo decidiu enviar ao Congresso para a aprovação as convenções 151
e 158 da OIT. A primeira assegura o direito de negociação coletiva aos
servidores públicos e a segunda coíbe a demissão desmotivada dos
trabalhadores. O governo anunciou ainda a decisão de garantir a participação
de trabalhadores nos conselhos de administração das estatais federais.
Um dos dirigentes sindicais a discursar, o
presidente da CGTB, Antônio Neto, resgatou o amadurecimento do movimento e
declarou o apoio da central à aprovação da prorrogação da CPMF. Neto
ressaltou que entre as bandeiras da Marcha estão o fortalecimento da
Seguridade Social e da saúde e, portanto, “é por isso que nós estamos
defendendo juntos a bandeira da CPMF”.
Falando em nome da Força Sindical, João Carlos
Gonçalves (Juruna) disse que a Marcha unitária “é importante para a
democracia do país, porque o ataque à mudança da estrutura sindical, à
contribuição sindical e o ataque ao ministro Carlos Lupi é uma maneira de
diminuir a luta dos trabalhadores”.
O presidente da CUT, Arthur Henrique, também
enfatizou a união dos trabalhadores e defendeu a criação do Conselho
Nacional da Seguridade Social. Participaram e fizeram uso da palavra os
ministros do Trabalho, Carlos Lupi, da Previdência, Luiz Marinho, e
dirigentes da UGT, Nova Central e CTB.
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