Sindicalistas se solidarizam
com ministro Lupi e exigem a saída do “ético” Marcílio
Centrais sindicais repudiaram a conduta do
presidente da Comissão de Ética Pública, Marcílio Marques Moreira, que
determinou na semana passada o afastamento do ministro do Trabalho, Carlos
Lupi, da presidência do PDT. As centrais se solidarizaram com Lupi e
exigiram a demissão do “ético” Marcílio, ex-ministro da Fazenda de Collor e
membro do Conselho de Administração da American BankNote, empresa
responsável pela confecção da carteira de trabalho no Brasil.
A determinação da Comissão de Ética aconteceu
logo após o ministro Lupi anunciar a intenção de substituir a atual carteira
por um cartão magnético “contrariando, desta forma, os interesses da empresa
American BankNote”, diz uma das notas divulgadas pelas centrais que também
se manifestaram em apoio ao ministro.
“Consideramos que a decisão da Comissão de Ética
Pública está eivada de interesses políticos inconfessáveis, que se
apresentam num momento em que as crescentes demandas dos trabalhadores
pautam e são objeto de negociações nas mais altas esferas da República, no
Governo Federal e no Congresso Nacional, as quais têm contado
invariavelmente com o apoio e o incentivo do Ministro do Trabalho e
Emprego”, afirma o documento.
A seguir a íntegra da nota assinada pelos
presidentes da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva (Paulinho), Antonio
Neto (CGTB), José Calixto (Nova Central Sindical), Ricardo Patah (UGT) e o
presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM),
Eleno José Bezerra, que pede a saída de Marcílio.
“As centrais sindicais Força Sindical, UGT
(União Geral dos Trabalhadores), CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do
Brasil), Nova Central Sindical e a CNTM (Confederação Nacional dos
Trabalhadores Metalúrgicos) repudiam veementemente e contestam a conduta do
presidente em exercício da Comissão de Ética Pública, Marcílio Marques
Moreira, que de forma estranha e casuística determinou o afastamento do
Ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, por considerar incompatível o
exercício de cargo público com o cargo de direção partidária.
“Vale ressaltar que o Sr. Marcílio Marques
Moreira, além de presidente da Comissão de Ética Pública, integra também os
conselhos de empresas como IBM, Coca-Cola, Novohotel, GE, Hoescht, ABN,
Sendas, entre outros. Isto também gera conflitos de interesses,
desabilitando-o a continuar como presidente em exercício de uma instituição
que prega a ética e a moralidade.
“A sociedade brasileira também merece tomar
conhecimento do fato que o Sr. Marcílio é do Conselho de Administração da
American BankNote, empresa que recebe cerca de R$ 5 milhões para
confeccionar as carteiras de trabalho no País. Acontece que o ministro
Carlos Lupi já anunciou a intenção de modernizar tal documento, trocando-o
por um cartão com chip. Contrariando, desta forma, os interesses da empresa
American BankNote. Fato, no mínimo, estarrecedor para quem se coloca como
paladino da ética.
“Diante dos fatos citados, as centrais sindicais
irão solicitar, durante audiência sobre a 4ª Marcha dos trabalhadores, ao
presidente Lula o imediato afastamento do Sr. Marcílio Marques Moreira da
presidência da Comissão de Ética Pública por considerar sua conduta pública
inadequada, com atos e atitudes que comprometem a necessária clareza de
posição exigida pelo cargo”.