Lula: ‘Banco do
Sul vai fortalecer
a autonomia financeira da região’
“Vamos
superar limitações de acesso a financiamentos junto a bancos multilaterais de
fomento e bancos privados. Este será o primeiro banco internacional
verdadeiramente controlado pelos países de nosso continente”
Os presidentes do Brasil, Argentina, Venezuela, Bolívia, Equador, Paraguai e
Uruguai assinaram no domingo (9) e na segunda-feira, em Buenos Aires, a ata de
fundação do Banco do Sul, “dando um passo decisivo na construção do sonho de
integração dos povos da América do Sul”, conforme destacou Lula. Além do
presidente brasileiro, assinaram a ata, respectivamente, Néstor Kirchner e sua
sucessora Cristina Kirchner, Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa, Nicanor
Duarte e Tabaré Vásquez.
“Desejamos que o Banco do Sul se transforme em um patrimônio da América do Sul,
a serviço do desenvolvimento econômico e social de seus povos. Com a
consolidação do Banco do Sul como instituição direcionada a fomentar o
desenvolvimento, vamos aprofundar o processo de integração financeira regional”,
afirmou Lula em seu discurso na Casa Rosada, sede do governo argentino. Segundo
o presidente brasileiro, “iniciativas como a criação de um fundo de
estabilização para países com desequilíbrio na balança de pagamentos, de um
sistema de pagamentos em moeda local e de um fundo sul-americano de garantias
são projetos que poderão diminuir a dependência de nossa região, frente ao
sistema financeiro internacional, e consolidar as relações econômico-financeiras
entre nossos países”.
Com o Banco do Sul, observou Lula, “vamos superar limitações de acesso a
financiamentos junto a bancos multilaterais de fomento e bancos privados. Vamos
dar passo importante para fortalecer a autonomia financeira da América do Sul.
Este será o primeiro banco internacional verdadeiramente controlado pelos países
de nosso continente”.
Com efeito, organismos “multilaterais” tipo Fundo Monetário Internacional (FMI)
e Banco Mundial (Bird) são controlados pelos países centrais do sistema
capitalista e, por isso, suas freqüentes interferências na América do Sul – como
nos demais países periféricos –, em um passado não tão distante, sempre se deram
com o objetivo de garantir a política de rapinagem promovida pelos monopólios.
Com a eleição de Lula, Chávez, Correa, Duarte, Evo, Kirchner e Tabaré, não por
acaso, a história mudou. O FMI já não dita mais a regras nesses países, e com a
criação do Banco do Sul, o horizonte ficou muito mais aberto para a integração e
o desenvolvimento.
“Os nossos povos desejam que nós avancemos nessa política de integração, temos
obras extraordinárias de infra-estrutura para fazer juntos, temos hidrelétricas
com a Argentina, com a Bolívia, temos hidrovias, portos e aeroportos com outros
países”, sublinhou o presidente Lula.
Ele frisou que “depois da eleição do presidente Kirchner, nós construímos um dos
melhores momentos da história da relação entre Argentina e Brasil. A nossa
relação com a Venezuela, que hoje é uma relação sólida, muito forte, e também
muito favorável, e é preciso diminuir essa distância. A nossa relação com o
Paraguai, como sempre inquietante, muitas vezes tendo a compreensão do
companheiro Nicanor, que quantos discursos ouviu contra o Brasil, ou para pelear
com o Brasil. Eu acho que o Evo é a coisa mais extraordinária que aconteceu na
América do Sul, porque ninguém tem mais a cara da Bolívia do que o Evo Morales”.
Lula ressaltou que o banco foi pensado em janeiro de 2006 pelos presidentes dos
países que subscreveram a ata. “Idealizamos a criação de um banco de fomento
genuinamente sul-americano, um banco que pudesse financiar projetos em
setores-chave de nossas economias, como infra-estrutura, ciência e tecnologia,
além de promover o desenvolvimento social com projetos voltados à redução da
pobreza e das assimetrias da região”, afirmou o presidente brasileiro.
“A maioria dos países da nossa região já se engajou no processo de criação do
Banco. O Brasil espera, e todos nós esperamos, que os demais países se juntem a
nós e a esta instituição crucial, que imaginamos no início do ano passado.
Somente forte, unida e integrada, a América do Sul poderá ocupar o lugar que lhe
cabe no concerto das nações e, principalmente, criar condições para o
desenvolvimento pleno de nossos povos”, sublinhou Lula.
O Banco do Sul terá um capital inicial de US$ 7 bilhões, sede em Caracas
(Venezuela) e, a princípio, subsedes em Buenos Aires (Argentina) e La Paz
(Bolívia).
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