“É inadmissível ter milhões de
dólares depositados
pelos bancos centrais fora da região”, afirma Correa
“Uma das manifestações de maior emancipação é a criação de uma nova
arquitetura financeira, capaz de reverter e banir para sempre as taras do
egoísmo, o isolamento e a competição fraticida por recursos entre nossos
povos e países”, declarou o presidente do Equador, Rafael Correa, ao saudar
a criação do Banco do Sul. “Uma nova arquitetura financeira que elimine a
subordinação aos organismos financeiros internacionais e supere os limites
da integração meramente comercial, assim como as profundas assimetrias em
que há vivido, ou melhor, em que há sobrevivido a região”, completou Correa.
O presidente do Equador condenou “as chamadas políticas de ajuste,
destinadas a expoliar os povos e a subjugar aos governos, com o fim quase
excludente de garantir o serviço da dívida externa”.
“O Banco do Sul, capitalizado com aportes de todos os países membros,
permitirá começar a por fim a esta desagradável e inútil dependência
político-financeira. Digo inútil, porque é um incompreensível masoquismo
financeiro, a América Latina ter mais de 250 milhões de dólares depositados
pelos bancos centrais fora da região, particularmente no primeiro mundo, com
o pretexto de segurança e liquidez”, alertou.
Correa destacou que o Banco do Sul é insuficiente para resolver o problema
da dependência financeira. “Ao somar nossa capacidade econômica, nos
permitirá multiplicar nosso potencial de financiamento de projetos,
sobretudo para a integração regional, contudo, requeremos também esse fundo
do Sul, que permita juntar as reservas depositadas fora da região, de forma
análoga ao Banco do Sul, a soma de nossas reservas permitirá multiplicar
nossa capacidade de atender crises financeiras e de balanças de pagamentos,
assim como utilizar essas divisas para o financiamento do desenvolvimento
dos nossos povos”, disse Correa. “Não há nenhum impedimento técnico, nem
financeiro para lograr estes objetivos, se trata só de decisão política,
visão histórica e superar as armadilhas institucionais que herdamos da longa
e triste treva neoliberal”.
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