Para Amorim, “lista ambiental dos EUA e UE é uma
aberração”
“Colocaram
na lista produtos que atendam a interesses deles”
O ministro das Relações Exteriores,
Celso Amorim, denunciou, em Bali, na Indonésia, no fim de semana, a exclusão
do etanol brasileiro de uma lista de redução tarifária apresentada por EUA e
União Européia (UE) com 43 produtos que teoricamente seriam “ambientalmente
corretos”. A proposta foi apresentada durante encontro entre ministros de
Comércio sobre mudança climática. Para Amorim é estranho que “o único
produto isolado cujos efeitos já foram comprovados - o etanol - não faça
parte da lista”. “É uma aberração. Não tem uma explicação racional que numa
negociação ambiental não se coloque justamente aquele bem que hoje é
reconhecido como o mais eficiente entre os biocombustíveis”, destacou o
ministro.
Na avaliação do representante
brasileiro a lista contém produtos “que obviamente são do interesse dos
países desenvolvidos”. Entre esses produtos estão turbinas de vento e
painéis solares.
A lista, segundo Amorim, já passou
por uma reformulação para retirar itens, que ele classificou como “absurdos”
- como barcos a vela e cadeados. “Ela inclui painéis solares e equipamentos
para geração de energia eólica, mas deixa de fora insumos para construção de
usinas de etanol”, denunciou. “Colocaram na lista produtos que atendam a
interesses deles. Isso mostra as duas faces dos países ricos”, alertou
Amorim.
“É injustificável ainda”, segundo o
ministro, “que a lista não inclua produtos agrícolas, apenas industriais”.
“A rodada de Doha não diferencia industrial de agrícola, só fala em produtos
ambientais. Isso só pode ser alegado por razões protecionistas”, afirmou,
ressaltando que “o protecionismo é como a cabeça da serpente. Ela sempre
tentará reerguer”.
“Se há uma coisa que é praticamente
um consenso é que o etanol e os biocombustíveis em geral melhoram muito a
situação em relação à emissão de CO2, sobretudo no caso do etanol brasileiro,
em que a relação entre o que ele consome de energia e o que ele produz é de
oito para um, enquanto o etanol do milho norte-americano é de 1,5 para um”.
O chanceler estima que o consumo de etanol no Brasil evitou a emissão de 670
milhões de toneladas de dióxido de carbono nos últimos 30 anos. Ele
salientou que Brasil poderá usar o seu poder de veto para impedir a
aprovação da lista na Organização Mundial do Comércio (OMC).