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Apeoesp na luta
pelo fim do arrocho salarial, em defesa da educação e do plano de
carreira
CARLOS RAMIRO DE
CASTRO *
Encerramos
2007 na luta pela justiça social, que será sempre a nossa bandeira. Nós,
trabalhadores, temos que manter a mobilização porque os desafios são
constantes. Os professores do Estado de São Paulo denunciam o descaso
com a educação, mas sabemos que as políticas públicas para outros
setores essenciais também são falhas.
A ausência de um sistema público de saúde, com estrutura
adequada para atender a população, por exemplo, reflete-se no ambiente
escolar. Há registros de casos de estudantes com otite crônica tratados
como deficientes auditivos e, que, obviamente, não conseguiam aprender
em seu tempo escolar.
Uma educação de qualidade é um fator decisivo na redução
dos índices de violência, nos cuidados com a saúde, além de ser um
indiscutível caminho para estabelecer ganhos no mercado de trabalho e na
construção da cidadania.
Indiferente a estas questões, o governo do Estado de São
Paulo omite-se. O resultado mais visível da devastadora política
educacional aqui adotada já pode ser visto em absurdos como a procura de
adolescentes e jovens adultos, que concluíram o ensino médio, pelo
Ensino de Jovens e Adultos, o antigo supletivo. Eles estudaram em salas
superlotadas, em escolas sem infra-estrutura, com altos índices de
violência, sem condições para a aprendizagem e, agora, enfrentam
dificuldades diversas, de inserção social e trabalho.
Professor há 37 anos, sei da dedicação dos educadores à
escola pública, em uma luta diária contra as adversidades que impedem a
manutenção de condições indispensáveis para o ensino.
Sei também que a educação faz toda a diferença na vida das
pessoas, sobretudo nas comunidades menos favorecidas. Infelizmente, sou
também testemunha da falta de prioridade que os governos dedicam à
educação.
Se a criança não aprende, o seu potencial de cidadania é
reduzido. A própria Constituição Federal garante que o ensino
fundamental é direito público e subjetivo e, portanto, pode ser cobrado,
inclusive judicialmente. A união e mobilização de trabalhadores de todos
os setores são indispensáveis para pressionar e cobrar do poder público
o direito constitucional à educação. Toda a sociedade é vítima quando
este direito não é respeitado.
Por isso, a luta por uma educação pública de qualidade que
atenda os interesses dos filhos da classe trabalhadora continuará sendo
a marca das campanhas da Apeoesp em 2008.
* Presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial
do Estado de São Paulo |