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Os
sonhos semeados pela Barca da Cultura
*Carlos Pinto
Nada melhor que um iluminado sorriso de
criança para gratificar a todos que participaram da segunda edição da Barca
da Cultura. Os participantes dos grupos musicais, de teatro, de dança, de
literatura, que se locomoveram no último sábado através do Canal da
Bertioga, foram os responsáveis no último sábado por tantos sorrisos
iluminados.
A partir da Ilha
Diana, passando por Monte Cabrão e chegando ao Caruara, centenas de crianças
e moradores tiveram um dia diferente, que lhes possibilitou o acesso a bens
culturais que raramente chegam até eles. E para nós, também foi um dia
diferente, onde pudemos analisar as condições precárias em que vivem as
famílias da Ilha Diana, onde falta tudo em matéria de serviços que já
existem nos demais bairros visitados.
Pudemos registrar
as queixas de moradores do bairro Quilombo, que se deslocaram até Monte
Cabrão com suas crianças, para assistir os eventos programados e reivindicar
de nós, que levemos até os duzentos moradores desse bairro, uma programação
idêntica. Quilombo fica fora da margem do canal de Bertioga e distante da
rodovia Rio-Santos. Mas não será essa distância que nos desobrigará da
promessa de que iremos lá com uma caravana cultural.
Para os turistas e
visitantes que nos acompanharam, aconteceu a descoberta de que Santos não é
apenas a ilha onde vivemos, que possuímos mais de duzentos quilômetros
quadrados de área, onde a cidade pode se expandir, respeitando as limitações
impostas pela legislação ambiental. A segunda Barca da Cultura confirmou a
necessidade de que a área cultural deve estar presente em todos os rincões
do município, não importando as distâncias e sacrifícios a enfrentar.
Semear sonhos,
plantar ideais, são objetivos de quem pratica cultura com responsabilidade,
com visão de futuro, com a certeza de que o amanhã será melhor, porque hoje
estamos plantando as sementes da cidadania. Tem aqueles que entendem que
voar, que plantar sonhos e ideais é um tanto quanto perigoso. Preferem
renunciar a este trabalho, e continuar sempre a trilhar as escalas
burguesas, pretensamente apoiados nos preceitos legais.
O que importa, como
diria Hesse é a ave sair do ovo que é o mundo. E para todos que, de uma
forma ou de outra, têm que destruir um mundo. Destruir no sentido de romper
com tradições já mortas e sepultadas e com o passado que, a efeito da água
que passa embaixo da ponte, nunca retornará.
Parabéns a todos
que deixaram de lado a comodidade de seus lares, e foram levar aos moradores
da área continental, um pouco de alegria, diversão e cultura. Que aproveitem
bem os quits com seis publicações destinados às crianças e ofertados pela
Editora Paulus, parceira da Prefeitura e Secretaria de Cultura nesta
empreitada. E que venham novas barcas e caravanas. A cultura deve ir aonde o
povo está.
*secretário da
Cultura de Santos |