Judeus etíopes protestam contra
a discriminação racial em Israel
Em matéria
publicada no dia 6, o jornal israelense Haaretz denuncia a discriminação
racial que atinge estudantes judias negras, vindas da Etiópia, em colégio
primário na cidade de Petach Tikva, para onde foram enviados a maioria dos
que emigraram do país africano para Israel.
O colégio,
Escola Elementar Lamerchav, de orientação religiosa, aceitou receber quatro
estudantes etíopes. Oitenta crianças em idade escolar não conseguiram matrícola
para este ano letivo na mesma cidade.
As crianças
que foram recebidas, estão tendo aulas em salas separadas, têm recreio em
horário separado e a diretoria da escola alugou um carro para levá-las para
casa, longe das demais que viajam em um ônibus escolar.
“Eles sempre
souberam, e nós sempre acreditamos, que nós somos um único povo”, afirmou Shula
Hula, que estuda na Universidade Hebraica, em Jerusalém. “Agora provaram que
estão mentindo”.
As crianças
etíopes estão também sendo manipuladas pelas diretorias das escolas. As
‘seculares’ dizem que não podem inscrevê-las porque ainda não foram convertidas
ao judaísmo pelo rabinato (os etíopes que mantiveram tradições hebréias com uma
liturgia diferente das demais correntes judaicas, são considerados “não
inteiramente judeus” pelo stablishment rabí-nico de Israel). As religiosas, onde
as crianças deveriam tomar aulas para se prepararem para a conversão, tampouco
querem recebê-las, alegando que os pais das demais crianças (não negras) se
afastariam das mesmas escolas que recebessem os etíopes.
“O Ministério
da Educação abandonou os filhos de imigrantes da Etiópia. Todos os cidadãos
merecem receber educação igual”, afirmou Abraham Nagosa, líder da comunidade dos
etíopes em Petach Tikva.
O Banco de
Israel liberou um informe onde se diz que os trabalhadores de origem etíope
ganham, em média, metade dos salários da média dos trabalhadores do país. 52%
das famílias dos etíopes são pobres. A maioria de seus integrantes em idade de
trabalhar está desempregada. A comunidade etíope, que está em 1,4% da população,
contribui com mais de 16% do total de israelenses abaixo da linha de pobreza.
O informe do
Banco de Israel sugere uma forma original de enfrentar a discriminação: escolas
que recebessem etíopes receberiam fundos extras!
O
ex-presidente Mo-she Katsav – afastado por escândalos de corrupção e de assédio
sexual – declarou, pouco antes de se afastar: “Israel talvez tenha errado em
trazer os judeus da Etiópia para cá”.
Manifestação
recente dos etíopes de Petach Tikva foi recebida por cargas de cavalaria da
polícia.