Ganância das
teles privatizadas eleva tarifa em mais de 660%
Achaque ao
consumidor é três vezes maior do que o índice de inflação medido pelo IPCA, que
acumulou variação de 216,29%
Os preços dos serviços de comunicação, majoritariamente concentrados na
telefonia, aumentaram 663,26% de julho de 1994 a novembro deste ano, período em
que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação,
acumulou uma variação de 216,29%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE).
Os números demonstram de forma cabal o aumento desmedido das tarifas, antes e
depois da privatização do Sistema Telebrás, em 1998, como parte da política
tucana de encher as burras dos monopólios privados estrangeiros. Assim, ao lado
do Programa de Recuperação e Ampliação do Sistema de Telecomunicações e Sistema
Postal (Paste) - que injetou R$ 23,5 bilhões, entre janeiro de 1995 e agosto de
1998, para a modernização e ampliação da planta -, na gestão de FH foi
implementado dois tarifaços na telefonia, em novembro de 1995 e abril de 1997.
“Tais aumentos faziam parte dos planos e da estratégia de preparação da
privatização da Telebrás” diz Márcio Wohlers , do Instituto de Economia da
Unicamp, no trabalho “Investimento e privatização das telecomunicações no
Brasil: dois vetores da mesma estratégia”.
Como não poderia deixar de ser, os aumentos das tarifas três vezes superiores à
inflação se refletem no faturamento dos monopólios privados estrangeiros de
telefonia, que substituíram o controle público que havia no setor. Levantamento
feito pela Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), mostra que
nos nove primeiros meses deste ano a receita bruta das teles foi de R$ 116,1
bilhões e em todo o ano passado, R$ 143,8 bilhões.
Citamos os números da referida associação porque fazem parte do seu Conselho de
Administração a Telefónica, Brasil Telecom, Embratel, Vivo, Claro, entre outras
empresas. Ou seja, os resultados apresentados são de responsabilidade de quem
estão entupindo os cofres com tarifas exorbitantes.
MONOPÓLIO
Os resultados mostram também todo poder de fogo das teles, ávidas por dominar a
televisão brasileira, não só os canais pagos, como também os abertos. Um poder,
evidentemente, que não partiu do zero, já que receberam de mão beijada um
fabuloso patrimônio construído pelo Estado brasileiro. Para comparar com as
teles, lembramos que o ganho das TVs abertas no ano passado foi de R$ 10,3
bilhões e das fechadas, R$ 5,5 bilhões. Excetuando os que estão de má fé, só
sendo cego para não perceber isso. É incrível, mas o pior é que há gente desse
tipo (ver matéria na página 3).
Apesar das tarifas extorsivas, que lhes proporcionam extraordinários lucros, a
qualidade do serviço oferecido pelas teles tem deixado a desejar. Quer o digam
os usuários de telefonia do Estado de São Paulo, a chamada região III, onde atua
a espanhola Telefónica, simplesmente a campeã das queixas registradas no Procon.
Tudo isso tem sido possível graças à aberração que foi substituir o controle
público e nacional pelo capital privado estrangeiro em uma concessão pública.
Para alguns incautos, o pano de fundo disso é a convergência tecnológica, uma
integração de tecnologias de telecomunicações e informática, incluindo internet,
para obtenção e difusão de informações. Chamam para isso de consolidação – um
eufemismo barato para a monopolização do setor, chancelado pela Anatel, mas
também com a vista grossa do Cade.
O fato é que depois de empalmarem a maior parte da telefonia, fixa e móvel,
Telmex (mexicana) e Telefónica (espanhola) avançam sobre a TV a cabo, ao arrepio
da lei, sendo que esta segunda detém também os serviços de MMDS e DTH
(satélite). Mas, em relação à TV via satélite, 95% dos assinantes são da Sky
Brasil, controlada pela News Corporations, pertencente ao escroque da mídia
Rudolph Murdoch - ex-australiano, ex-britânico e agora cidadão norte-americano
-, também dono da Fox News.
Esses são os fatos: monopólio privado estrangeiro, tarifas extorsivas e
superlucros para controlar as comunicações no Brasil. Só não vê quem não quer.
Ainda há tempo que acabar com essa farra do boi. Com a palavra o Congresso
Nacional, que tem agora a responsabilidade em colocar um freio à ação dos
monopólios, a começar com a rejeição do substitutivo ao PL 29/2007.
VALDO ALBUQUERQUE
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