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Garibaldi assume Senado em mandato tampão
Com os principais líderes do Senado impedidos de
disputar ou recusando a indicação para a Presidência, o PMDB, partido que tinha
o direito de indicar o sucessor do senador Renan Calheiros, lançou o nome de
Garibaldi Alves (RN), que foi eleito para um mandato tampão na última
quarta-feira, com 68 votos favoráveis, oito contrários e duas abstenções.
O nome mais cogitado inicialmente para assumir o
comando do Senado era o do ex-presidente José Sarney, que resistiu aos apelos.
Ao defender o nome de Sarney, o senador Leomar Quintanilha (TO) disse que Sarney
é “um nome que tem uma biografia, uma história vasta, uma larga folha de
serviços prestados ao país, é um nome que dignifica o parlamento”.
Porém, Garibaldi já estava em campanha pela
Presidência há várias semanas. Contava com a simpatia dos partidos de oposição e
apostou na mudança de seu visual como principal cabo eleitoral. Mudou seu modo
de agir, clareou os dentes, passou a usar gel nos cabelos e mandou fazer ternos
novos, alguns em Buenos Aires. Além disso, cedeu à pressão cotidiana de seus
assessores e adotou um estilo mais fashion, abandonando as combinações de roupas
com cores menos escandalosas.
Seu adversário na bancada foi o senador Pedro
Simon (RS), dono de uma expressiva trajetória no partido, que teve o seu nome
lembrado por 29 senadores de diversos partidos. Submeteu sua candidatura à
bancada peemedebista, mas perdeu a votação por 13 votos a 6. Em respeito aos
seus apoiadores, Simon se disse obrigado a fazer um pronunciamento. Ocupou a
tribuna na tarde de quarta-feira, mas grande parte do seu discurso foi usado
para pedir esclarecimentos ao Planalto sobre algumas informações que apontavam o
veto ao seu nome por não ser confiável como era o senador Garibaldi Alves. “Saiu
uma mensagem do Palácio dizendo que o Pedro Simon não era de confiança e dizendo
que o Pedro Simon era imprevisível nas atitudes que iria tomar”, afirmou.
Simon fez então um resgate de sua história
política e lembrou fatos que ao longo dos anos lhe colocaram ao lado do
presidente Lula, tanto em campanhas eleitorais como no período da ditadura. “Nas
horas difíceis de Vossa Excelência, quando estava lá na cadeia, em São Paulo,
Teotônio e eu fomos lá; quando tinha aquela loucura na praça, fomos lá e
conseguimos a calmaria, para que não acontecesse uma catástrofe; quando Vossa
Excelência ia ser julgado pelo tribunal militar, nós – Ulysses, Teotônio e eu –
estávamos lá, defendendo-o”, afirmou Simon. Em seguida, ressaltou: “Então,
sempre fui da sua amizade e parece que sempre gozei da sua confiança!”.
O senador gaúcho disse que só passou a ter uma
postura mais distanciada do governo após o episódio Waldomiro Diniz, que
resultou na criação da CPI dos Bingos, conhecida como CPI do “fim do mundo”,
cuja relatoria foi exercida por Garibaldi.
Durante sua saudação ao novo presidente, a líder
do PT Senado, Ideli Salvatti (SC), disse na quarta-feira que a crise vivida
recentemente pelo Senado foi causada principalmente pela cobiça em torno da
sucessão de Renan Calheiros (PMDB/AL). “A coceira por essa cadeira acirrou
ânimos, apetites e a disputa interna. Esta não era a questão mais falada, mas
não tenho dúvida de que era a questão mais ansiada e desejada, e foi responsável
por muito do que nós passamos”, afirmou.
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