Líderes políticos e sindicais condenam retaliação do
MP contra a TV do Paraná
“É a volta da censura, comum nos tempos da
ditadura. E nós, os paranaenses, não devemos, não podemos e não vamos compactuar
com isso”, afirmou o líder do governo na Assembléia Legislativa do Paraná, Luiz
Cláudio Romanelli, condenando a ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF)
no Estado, pedindo a suspensão do programa Escola de Governo das grades da TV e
da Rádio Educativa do Paraná.
Líderes sindicais, políticos e intelectuais
repudiaram nesta quarta-feira, em Curitiba, a tentativa do MP de impor censura à
programação das emissoras públicas, apontando que a TV e rádio estatal estão
entre os poucos veículos de comunicação do Brasil que abrem espaço para o debate
de questões realmente de interesse nacional.
Com a ação, o MPF pretende impedir ainda a
veiculação nas emissoras de denúncias contra a mídia, caluniadores do governo e
membros do Ministério Público. “O que mais se estranha é que a Escola de Governo
está sendo veiculada na rádio e TV há cinco anos, desde sua implantação, e
somente agora depois de críticas aos salários dos promotores públicos que se
move uma ação nesse sentindo”, completou Romanelli.
“Acho um grande equívoco o ajuizamento dessa
ação. Não vejo porque essa tentativa de censurar o governador. É claro e
evidente que a TV Educativa, por se tratar de uma tevê pública, traz mais
informações e debates ligados ao governo do Estado”, lembrou o líder do PT na
Assembléia Legislativa, Elton Welter, ressaltando que a TV Educativa é uma
conquista do povo paranaense.
“Muitas vezes, a TV e a Rádio Educativa são os
únicos veículos a se colocarem ao lado do povo do Paraná. Um exemplo da defesa
do interesse público e da economia do Paraná é a luta constante contra os preços
abusivos praticados pelas concessionárias do pedágio nas rodovias do Estado”,
acrescentou o presidente estadual e líder do PMDB na Assembléia Legislativa,
Waldyr Pugliesi.
Segundo o deputado Cleiton Kielse (PMDB), a ação
do MPF é uma tentativa de silenciar o governo do Estado, porque foi na Escola de
Governo onde ocorreram “as melhores defesas da redução dos pedágios, da menor
tarifa de energia elétrica e de água do país, do incentivo às pequenas empresas,
isentando de ICMS”. Para o deputado, existe um interesse partidário na
proposição da ação.
“Não vi e não vejo crime da TV Educativa contra
ninguém”, declarou o deputado Carlos Simões (PR). “O governador tem o direito de
ter seu programa para divulgar as ações do governo. Se alguém se sentir agredido
pelo governador, que entre com direito de resposta como qualquer um faria em
relação a um órgão de comunicação particular submetido à lei das concessões
públicas”, completou o deputado Péricles Melo (PT).
Em novembro, o governador Roberto Requião
denunciou na Escola os altos salários e privilégios dos procuradores e
promotores de Justiça. A associação que os representa já tinha sinalizado em
retaliação processar o governo e a TV Educativa. “O Ministério Público tem aqui
espaço para exercer seu direito de resposta e de debate. Vamos debater o que
acontece com essas aposentadorias, para manter o que estiver correto e retirar
os que não forem legítimos”, convidou o governador, na abertura da reunião
semanal da Escola de Governo. “Eu convidei representantes do MP para virem aqui,
mas eles preferiram ir a Brasília e contratar um advogado para me processar e
tentar calar a TV”, declarou. “Alguns acreditam que a função da televisão do
Estado é tocar moda de viola, não é provocar o debate político, não é discutir o
pedágio, não é discutir o Brasil, não é travar o grande debate de que o Brasil
está precisando. Pois fica aqui o convite ao MP: venham à Escola de Governo,
vamos realizar um debate público sobre esses privilégios. Não é preciso ir a
juízo requerer direito de resposta”, disse na época o governador.