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Edson Cegonha: o desarme com classe
Ariovaldo Izac
Quando você observa boleiro bater descaradamente em canelas
e tornozelos de adversários, e com a maior “cara de pau” ainda diz que
foi na bola, saiba que no passado “desfilavam” pelos gramados os
chamados “bons malandros”, aqueles que na jogada acertavam meio gomo da
bola e, por extensão, pé de adversário.
Nesse contexto estava inserido o carioca Edson Cegonha, que
passou pelo Corinthians ao longo da década de 60, integrou o grande time
do São Paulo a partir de 1969, encerrando o bom ciclo no Palmeiras.
Edson era dos tais que “apitavam” partidas e o principal exemplo foi na
final do Campeonato Paulista de 1971, quando induziu o juiz Armando
Marques ao erro, ao citar que Leivinha, do Palmeiras, havia usado a mão
em gol legítimo de cabeça. Conclusão: o Tricolor venceu por 1 a 0 e foi
bicampeão, com 103.867 pagantes.
Originalmente lateral-esquerdo, Edson começou a se destacar
no São Cristóvão. No Corinthians formou notável dupla de meio-de-campo
com Rivelino, mas teve a infelicidade de atuar num período de intensa
cobrança para quebrar o jejum de títulos. Ajudou a quebrar, isso sim, um
tabu de 12 anos do Santos em confronto com o Corinthians, em 1968, num
time formado por Diogo; Osvaldo Cunha, Ditão, Luiz Carlos e Maciel;
Edson e Rivelino; Buião, Paulo Borges, Flávio e Eduardo.
Naquela época, o Timão enfrentou concorrência do grande
Santos de Pelé e a decantada academia do Palmeiras. Por isso, a troca de
ares para o Morumbi foi providencial para o atleta.
A princípio, retomou à lateral-esquerda, porque o
cabeça-de-área são-paulino era Teodoro. Depois, integrou um dos maiores
trios de meio-de-campo do futebol brasileiro, ao lado de Gérson e Pedro
Rocha.
Diferentemente de volantes trombadores que optam por matar
jogadas sucessivamente, Edson Cegonha desarmava com classe. E quando
entrava mais duro no adversário, incontinênti virava às costas e saía de
perto da jogada, despistando a arbitragem.
Chutão? Nem pensar. Pressionado por adversário, usava as
pernas compridas para esconder a bola, e sabia entregá-la. Era estiloso
e, nas investidas ao ataque, arriscava chutes de média e longa
distância, assim como tinha aceitável aproveitamento no jogo aéreo.
Em 1972 os cartolas do Tricolor optaram por “limpeza” no
elenco e Edson entrou na lista de dispensa, ocasião em que se transferiu
para o Palmeiras, iniciando a chamada estrada da volta no futebol.
Fora de campo foi um mulherengo incorrigível. Boa pinta,
elegantemente vestido e 1,85m de altura, despertava atenção da mulherada
e havia reciprocidade. E fruto de relacionamento com a intérprete de
samba Beth Carvalho teve uma filha, uma dos 11 herdeiros de
relacionamentos conjugal ou não, daí o apelido de cegonha.
Hoje, aos 66 anos de idade, é pai coruja de uma pequena de
dois anos, e se orgulha de ainda cultivar amizade do cantor Roberto
Carlos, que se arrasta há décadas, quando atuou como ator de cinema e
estrelaram juntos. O ex-volante ainda preserva amizades com figurões do
meio artístico.
Edson ainda arriscou na carreira de treinador, com
empreitada no Araçatuba (SP) e auxiliar técnico na Ponte Preta, década
passada. Repetiu a experiência como coadjuvante do treinador Oswaldo de
Oliveira nos Emirados Árabes, Corinthians, São Paulo, Fluminense e
Flamengo, e eventualmente “empresaria” jogadores.
* É jornalista em
Campinas e colaborador do HP
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