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Quintino Severo, secretário geral da CUT:
“4ª Marcha foi vitória dos que
lutam pela unidade da classe trabalhadora”
Na
entrevista abaixo, o secretário geral da Central Única dos Trabalhadores
(CUT), Quintino Marques Severo, faz um resgate da Marcha da Classe
Trabalhadora realizada pelas centrais sindicais no dia 5 de dezembro,
lembra das lutas desenvolvidas ao longo do ano e sublinha seus
desdobramentos para a construção de um projeto nacional de
desenvolvimento.
Qual a avaliação sobre
a 4ª Marcha da Classe Trabalhadora e sua relação com as ações
desenvolvidas ao longo do ano?
A 4ª Marcha condensou o
sentimento de entrega e generosidade de uma militância aguerrida que, de
Norte a Sul, superando todas as dificuldades, esteve na linha de frente
da batalha, ampliando aliados no enfrentamento aos apologistas do deus
mercado e seu neoliberalismo privatista, e também contra o divisionismo
estéril e infantil, com discurso de esquerda que faz o jogo da direita
ao tentar estreitar o movimento, levando-o ao gueto.
Um balanço de 2007 até
aqui...
Foi um ano extremamente
frutífero onde a militância cutista fez a diferença, em que conseguimos
impedir que vingasse a famigerada Emenda 3, garantindo o veto
presidencial contra a retirada de direitos. Demonstramos o absurdo do
PLP 01, que viria a ser uma camisa-de-força para os serviços públicos e
para o próprio desenvolvimento nacional, ao impor limites ao
investimento com pessoal, inviabilizando a realização de concursos e
novas contratações. Colocamos o bloco na rua contra o perverso fator
previdenciário, mecanismo de arrocho criado pelos tucanos para assaltar
as aposentadorias. Envolvemos o conjunto das regiões na formulação de um
projeto de desenvolvimento para o Brasil, com jornadas que semearam a
convicção na capacidade criativa e no protagonismo da classe
trabalhadora, e que nos alimentaram com inúmeras e valiosas propostas.
Reforçamos, ao lado da Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS), a
Campanha “Concessões de Rádio e TV, Quem Manda é Você”, sublinhando a
necessidade da democratização dos meios de comunicação. Realizamos um
sem número de mobilizações e greves nos mais variados setores do serviço
público, exigindo recursos, respeito e valorização para o funcionalismo,
fundamentais para um atendimento de qualidade, à altura das necessidades
da população. Contribuímos decisivamente para o sucesso da Caravana da
Cidadania no Ramo da Construção, lutando por contrapartidas sociais no
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com metas de emprego e
qualificação para a liberação dos investimentos públicos para um setor
recordista em informalidade e em acidentes fatais. Dezenas de milhares
de Margaridas cobriram novamente a Esplanada dos Ministérios, realçando
o papel da mulher trabalhadora na luta pela reforma agrária, em defesa
da agricultura familiar e de políticas que fortaleçam o setor.
O ano fechou com chave
de ouro.
Com 40 mil manifestantes,
a nossa maior Marcha foi uma vitória dos que investiram tempo e recursos
na construção da unidade na diversidade, colocando os interesses da
classe em primeiro lugar. Já no começo da noite da 4ª Marcha, colhemos
no Palácio do Planalto os primeiros resultados desta jornada: o anúncio,
pelo presidente Lula, de que enviará ao Congresso Nacional o pedido de
ratificação das Convenções 151 da Organização Internacional do Trabalho
(OIT), que estabelece o direito à negociação coletiva no serviço
público, e 158, que coíbe a demissão imotivada, pondo um freio à alta
rotatividade. Além disso, temos a garantia do presidente de que
representantes dos trabalhadores vão ser eleitos para os conselhos de
administração de todas as empresas estatais federais, apontando um
compromisso governamental com o enraizamento da democracia no local de
trabalho.
Quais as expectativas
para 2008?
Pois é justamente a luta
que transforma os que lutam, onde os combatentes se forjam, criam
identidade, reforçam compromissos, sublinham certezas, ampliam
perspectivas. Que os avanços obtidos fomentem o que há de melhor em cada
um de nós, estimulando o compromisso coletivo de todos com a construção
de um Brasil soberano, com desenvolvimento e justiça social. Que
tenhamos cada vez mais o foco nas mãos dos que trabalham, nas rugas dos
idosos, aposentados e pensionistas e nos olhos dos jovens que merecem
ter direito à esperança em um novo tempo. Melhor, bem melhor.
LEONARDO SEVERO
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