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Nove
presidentes da AL apoiam Evo contra ação de separatistas
Declaração firmada pelos chefes de Estado reunidos na Argentina afirma “apoio
irrestrito ao governo de Evo Morales e ao povo da Bolívia”
Nove
chefes de Estado da América Latina expressaram seu “apoio irrestrito ao povo e
ao Governo de Evo Morales” no conflito provocado por governadores separatistas
que se negam a reconhecer a nova Constituição legalmente aprovada no domingo
passado. Inconformados com a recuperação do controle pelo Estado da maior
riqueza do país – as enormes reservas de hidrocarbonetos –, os setores da
oligarquia boliviana no governo nos departamentos (Estados) de Santa Cruz,
Tarija, Cocha-bamba e Pando, ameaçaram romper a ordem jurídica do país,
declarando a autonomia de forma ilegal.
A
“Declaração de Buenos Aires”, assinada pelos presidentes da Argentina, Brasil,
Chile, Colômbia, Equador, Venezuela, Uruguai, Paraguai e Honduras, manifesta sua
“segurança de que a Bolívia conseguirá encaminhar a atual situação no marco do
pleno respeito dos princípios democráticos” e sua “confiança na capacidade das
forças políticas bolivianas para manter um clima de diálogo e entendimento,
rechaçando toda tentativa que vulnere a estabilidade das instituições e do
Governo eleito democraticamente”.
APOIO
Durante sua permanência em Buenos Aires, onde participou da posse da presidente
argentina, Cristina Fernández de Kirchner, Morales se reuniu com todos seus
colegas, dos quais recebeu apoio e solidariedade.
“Eu
acho que o Evo é a coisa mais extraordinária que aconteceu na América do Sul,
porque ninguém tem mais a cara da Bolívia do que o Evo Morales”, afirmou Luiz
Inácio Lula da Silva, destacando o trabalho realizado pelo governo boliviano na
solução dos problemas de um dos povos mais sacrificados do continente.
Néstor Kirchner salientou “tudo o que aprendi com o Evo: a construção da
confiança, o trabalho com o povo, com os irmãos indígenas, o amor à terra.
Quantas coisas entendi de tuas lutas! Às vezes a gente só enxerga os problemas
de nosso dia a dia, mas o processo de mudanças na Bolívia é uma síntese não só
da justiça e do respeito pelos direitos do povo, como também da importância da
integração dos nossos países”.
O
posicionamento claro dos países do continente, particularmente dos que limitam
com os departamentos governados pelos separatistas – Brasil, Argentina e
Paraguai -, em defesa da integridade territorial da Bolívia e da democracia,
isolou as tentativas golpistas. Insistindo no diálogo e na solução democrática
das divergências, Evo convocou “novamente as autoridades e dirigentes legal e
legitimamente eleitas nos diferentes departamentos a trabalhar juntos com base
na nova Constituição, na lei de autonomias e no estatuto autonômico”.
SINTOMÁTICO
Asseverou que a Constituição Política do Estado, CPE, aprovada o passado final
de semana na cidade de Oruro, com dois terços dos votos, inclui as autonomias
departamen-tais, indígenas, e municipais. “É sintomático que justamente agora,
quando foi aprovada a autonomia, dentro da unidade territorial da nossa nação,
alguns governadores assumem uma posição tão recalcitrante. Pela razão de que não
podem ir em frente, só lhes resta a violência. Mesmo sabendo da posição firme e
legal das Forças Armadas, apelaram para o golpe. Se deram mal”, ressaltou o
presidente Evo.
Os
governadores Rubén Costas (Santa Cruz), Mario Cossío (Tarija), Leopoldo
Fernández (Pando), e Manfred Reyes Villa (Co-chabamba) anunciaram que a partir
do 15 de dezembro aplicarão de fato as autonomias departamentais, agredindo o
governo.
“Implementar de maneira unilateral (as autonomias) é ilegal, inconstitucional e
separatista”, asseverou Morales. A autonomia aprovada na Constituinte é uma
antiga reivindicação da população boliviana para garantir a preservação
cultural, política e social das regiões, preservando a unidade territorial e
econômica do país. Os governadores dos departamentos onde se concentram as
reservas de gás e petróleo pretendem o domínio desses recursos, rompendo com o
governo central.
Evo
afirmou que fará frente “à conspiração das oligarquias de seu país e da
oligarquia internacional, encabeçada pelos EUA” e assegurou que “os grupos que
fazem oposição dessa forma golpista são cada vez mais reduzidos, mas cada vez
mais violentos”.
SUSANA SANTOS
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