Linha
ferroviária regular começa a integrar Coréia Popular e do Sul
Começou a
funcionar na terça-feira, 11, o primeiro serviço regular de trens
interligando a Coréia Popular e a Coréia do Sul após uma separação de mais
de 50 anos, em mais um importante passo para a reunificação coreana. O
projeto de conexão das linhas férreas foi proposto na histórica cúpula entre
as duas partes no ano 2000, que reuniu em Pyongyang o líder da Coréia
Popular Kim Jong- II e o então presidente sul-coreano, Kim Dae Jung. Em
outubro, ocorreu a segunda cúpula, de três dias, reunindo Kim Jong Il e o
atual presidente do Sul, Roh Moo Hyun.
O trem de
carga, levando matérias-primas para a zona industrial de Kaesong, deixou a
Coréia do Sul rumo a Bongdong, no Norte, a 25 quilômetros, e retornou no
mesmo dia. Nos próximos meses, deverá entrar em operação o serviço de
transporte de passageiros entre as duas partes da Coréia.
O serviço
intercoreano de trens vai cruzar diariamente a fronteira, cortando os custos
de frete dos insumos e dos produtos na zona industrial de Kaesong. Até
então, o transporte vinha sendo feito por caminhões. O presidente da empresa
ferroviária do sul, Lee Chul, afirmou na partida do primeiro trem regular
sul-norte, que “embora estejamos começando com um trem de carga, o serviço
abrirá caminho para uma linha de passageiros”. Ele manifestou sua
expectativa de que, “em breve será conectado aos trens continentais”.
As
conexões ferroviárias entre o norte e o sul do país foram interrompidas –
aliás, destruídas – pela invasão norte-americana na Península durante a
Guerra da Coréia, entre 1950 e 1953. A agressão foi rechaçada, mas o sul
permaneceu sob ocupação de dezenas de milhares de soldados dos EUA em um
grande número de bases. A ingerência dos EUA impediu até hoje a assinatura
de um tratado formal de paz entre as duas partes, passo decisivo para a
reunificação pacífica. Os EUA também construíram um grande muro separando
norte e sul, que vai de costa a costa e vivem promovendo ardis para dividir
os coreanos.
REUNIFICAÇÃO
O avanço
da luta pela reunificação conquistou que as estradas que conectam as duas
partes fossem abertas após a primeira reunião de cúpula entre os líderes do
Norte e do Sul. Este ano, em maio, dois trens em viagem de teste, com 100
sul-coreanos e 50 norte-coreanos a bordo, cruzaram ao mesmo tempo a Linha de
Demarcação Militar (linha de armistício), que divide o país. Presentes, o
ministro de Ferrovias da RPDC, Kim Yong Sam, e o titular sul-coreano de
Construção e Transportes, Ri Jae Jong.
COMEMORAÇÃO
Na
cerimônia de comemoração da viagem de teste, em maio o ministro do norte Kim
Yong Sam afirmou que “foi necessário mais de meio século para cruzar esta
curta distância de cerca de 20 quilômetros, por isso deve-se impedir o
fechamento destas ferrovias”. “Que esse passo impulsione a reunificação da
Pensínula Coreana”, saudou.
Por sua
vez ministro de Unificação sul-coreano, Lee Jae Joung, destacou que “o que
esse trem leva é o nosso sonho, esperança e futuro: uma península
unificada”. Ele ressaltou o papel da viagem de teste, como “ponto de partida
para reduzir a tensão e impulsionar a reconciliação”.