Na segunda feira, o presidente Lula anunciou em La Paz
investimentos entre US$ 750 milhões e US$ 1 bilhão até 2012 na Bolívia
através da Petrobrás. “Esses acordos respondem àqueles que queriam o
distanciamento, o congelamento das relações. Esses acordos respondem àqueles
que queriam o enfrentamento”, afirmou o presidente sobre a retomada de
investimentos no país vizinho.
Além disso, os dois países firmaram acordos nas áreas de
comércio, saúde, educação, infra-estrutura e cultura. “Estamos aqui para
ajudar”, disse Lula.
Na área energética, estão previstos investimentos
iniciais de US$ 260 milhões na expansão da produção de gás e petróleo no
campo de San Alberto, e outros US$ 36 milhões na perfuração de um poço no
campo de Ingre, ainda inexplorado. Os investimentos da Petrobrás nos campos
de San Antonio, San Alberto e Ingre aumentará a produção em 8 milhões de
metros cúbicos de gás por dia. Foi acertada também a retomada dos estudos
sobre a construção de um pólo de gás-químico em parceria entre a Petrobrás e
a estatal boliviana YPFB.
“Aos que brigaram por distanciamento e esfriamento,
respondemos com a agenda renovada e cooperação”, disse o presidente Lula
completando: “Tenho certeza de que o Brasil e a Bolívia serão mais aliados
para a integração sul-americana”. Por sua vez, Evo Morales declarou: “Nunca
esquecerei, nem esqueceremos, seu esforço para a Bolívia”.
O presidente brasileiro defendeu também mais
investimentos na Bolívia por parte dos países vizinhos. “O Brasil tem que
entender, como a Venezuela tem que entender, como a Argentina tem que
entender, ou seja, os países mais ricos têm que entender que é preciso
resolver os problemas das assimetrias regionais”.
A comitiva do presidente Lula contou com ministros, entre
eles Nelson Hubner, de Minas e Energia; Sérgio Gabrielli, presidente da
Petrobrás e empresários.
Em apoio ao presidente boliviano, durante a visita à
Venezuela, no dia 13, o presidente Lula recordou que “quando o Evo Morales
resolveu nacionalizar o gás, tentaram criar uma celeuma, os empresários
brasileiros se lembram, entre eu e Evo Morales. E eu não conseguia conceber
como é que o presidente do Brasil ia divergir, sendo ele um metalúrgico, de
um presidente boliviano, sendo ele o índio Evo Morales. Seria o fim do mundo
a gente ter uma divergência, quando eu entendia que o gás era da Bolívia e
que ele tinha o direito de fazer aquilo”, e que “a Petrobras finalmente
decidiu fazer os investimentos que nunca deveria ter deixado de fazer na
Bolívia”.
Afirmando que o continente passa por “seu melhor
momento”, Lula ressaltou que “somos o maior número de governantes com
compromissos com o povo pobre que a América do Sul já elegeu em toda a sua
história”.
LUIZ ROCHA