Petrobrás e
PDVSA constituem empresa mista para a construção da refinaria Abreu e Lima
Brasil e
Venezuela reúnem 250 empresários e assinam novos acordos comerciais
O Brasil e a Venezuela assinaram nove acordos comerciais na semana passada
durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país vizinho. O mais
importante e esperado foi o anúncio da constituição de uma empresa mista no
Brasil entre as estatais Petrobrás e PDVSA para a construção e operação da
Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.
Com 60% de participação da Petrobrás e 40% de propriedade da PDVSA, a refinaria
será operada com a participação de pessoal de ambas as empresas e terá
capacidade de processar 200 mil barris de petróleo por dia. Segundo nota
conjunta das estatais, “será firmado um contrato de fornecimento de 100 mil
barris de petróleo por dia do bloco Carabobo 1, na faixa petrolífera do Orinoco”.
A PDVSA anunciou o início de desenvolvimento do bloco Carabobo 1, “mantendo
aberta uma opção de participação da Petrobrás nos projetos de produção de
petróleo melhorado, enquanto a Petrobras conclui seus estudos técnicos e
econômicos pertinentes”, segundo o comunicado conjunto.
Lula e o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, participaram do encerramento do
Encontro Empresarial Brasil-Venezuela, no Palácio Miraflores, em Caracas, com
250 empresários dos dois países, no qual foram estabelecidos acordos nos setores
de energia, alimentação, saúde, agropecuária, tecnologia, produção de café,
entre outras.
Saudando os acordos comerciais e a política de integração, o presidente Lula
disse que “há um problema energético no mundo e há um problema energético na
nossa América do Sul. Então, é preciso fazer um levantamento criterioso, sério,
que permita quantificar o nosso potencial energético na área de petróleo, na
área de gás, mas também quantificar o potencial hídrico na construção de energia
elétrica porque, com linhas de transmissão, nós poderemos transportar energia
para os países que têm mais problema de energia”.
“O Brasil e a Venezuela tinham uma balança comercial da ordem de 400 ou 500
milhões de dólares no final de 2002, e hoje nós temos quase 5 bilhões de dólares
de balança comercial, com um problema: o superávit brasileiro é muito grande. E
a boa política internacional não é aquela em que apenas um vende e o outro
compra, é aquela em que os dois vendem e os dois compram”, afirmou Lula.
O presidente brasileiro destacou a expressiva delegação de empresários
brasileiros ao encontro: “Talvez só tenhamos feito igual na China, ou seja, é
uma das mais importantes delegações empresariais brasileiras dos últimos tempos.
Numa demonstração de que as pessoas, Chávez, estão querendo discutir com maior
seriedade. As pessoas já não acreditam tanto em insinuações, as pessoas querem
saber se tem projetos concretos, se tem oportunidades concretas para fazer
investimento”, assinalou.
Hugo Chávez destacou “as excelentes condições que hoje temos na América Latina”
e que não é justo, enquanto presidentes, “não aproveitarmos a oportunidade de
construir a cultura de integração”.
“Há muito tempo, a Venezuela não vivia o momento que vive hoje, exercitando a
democracia na sua plenitude, o povo pobre tendo acesso a tomar café de manhã,
almoçar e jantar, o povo pobre começa a ter acesso a consumo, começa a ter
acesso a crédito, e isso está acontecendo em quase todos os países da América do
Sul, senão em todos. É uma novidade, uma novidade extraordinária porque neste
continente, durante muito tempo, a decisão era governar apenas para 30% da
população e não para a totalidade da população”, sublinhou o presidente
brasileiro.
Lula defendeu a criação de um Conselho de Defesa Sul-Americano e se comprometeu
a abrir nos próximos meses escritórios da Embrapa (Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária) e da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento
Industrial) na Venezuela.
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