|
Apadrinhado de Tasso condenado por rombo de 7,5 bilhões no BNB
O ex-presidente do Banco do Nordeste (BNB),
Byron Queiroz, aliado do ex-presidente nacional do PSDB, senador Tasso
Jereissati, foi condenado a 13 anos de reclusão, além de multa, por ter fraudado
a contabilidade do banco, rolado dívidas não pagas e liberado novos empréstimos
para estas empresas. Entre os principais beneficiários do esquema montado por
Byron, que deixou um rombo de quase R$ 7,5 bilhões (em valores não atualizados)
no BNB, estão empresas do grupo Jereissati e da família do líder do DEM (ex-PFL)
no Senado, José Agripino Maia.
A sentença foi proferida pelo juiz da 12ª Vara
Federal, José Donato de Araújo Neto. Além de Byron, que presidiu o banco entre
1995 e 2003, outros cinco diretores do BNB também foram condenados pelos crimes
de gestão fraudulenta de instituição e falsificação de vários balanços do banco.
Foram isentos apenas da pena por formação de quadrilha.
As ilegalidades de Byron vierem à tona através
de uma auditoria do Tribunal de Contas da União e foram investigadas,
superficialmente, pela CPI criada na Câmara dos Deputados para apurar desvios
nos recursos do Finor (Fundo de Investimentos do Nordeste), operados pelo BNB.
Byron montou uma engenharia no banco para
perdoar dívidas, refinanciar e conceder novos empréstimos para empresários
amigos que não pagavam o banco há anos. A maioria das negociações era
implementada com a posição contrária do Comitê de Avaliação de Crédito da
Direção – COMAC. Após realizar as operações, os empréstimos e refinanciamentos
eram apontados no balanço como créditos a receber e não créditos duvidosos.
Esse é o caso da empresa Mossoró Agroindustrial
S.A (MAISA), de propriedade do senador José Agripino Maia (DEM). Agripino
recebeu recursos do BNB e não pagou. A dívida total do senador ainda é um
mistério, pois nunca houve uma investigação séria sobre o assunto. Alguns
números citados na imprensa apontam para a cifra de R$ 50 milhões em valores
atualizados. Até 1999, a MAISA devia R$ 4.266.853,27. Agripino reconhece um
débito de apenas R$ 2 milhões e o contesta na Justiça.
No entanto, a questão mais grave foi levantada
por uma auditoria do TCU, que afirma que vários órgãos do banco foram contrários
às operações de refinanciamento e novos empréstimo para a empresa de Agripino em
virtude do “elevado nível de endividamento do grupo junto ao BNB e o fato de
que, em passado recente, os interesses do BNB estiveram abalados por
descumprimento por parte do grupo EIT (integrante do grupo MAISA) em não honrar
compromissos contratuais pactuados, fato, inclusive, que resultou no impedimento
do cliente”.
Não é só este líder da oposição que está
enrolado com Byron. O TCU contesta também uma operação de empréstimo efetuada
para empresa Refrescos Cearenses S.A, de propriedade de Tasso Jereissati, que
estaria acima dos limites possíveis do banco. Tasso também está ligado, mesmo
que indiretamente, a outras intervenções.
Um delas, levantada pelo TCU e denunciada pela
revista “IstoÉ”, envolve a Fiotex Industrial S/A indústria de fios de algodão
de Fortaleza, que Byron chegou a ser consultor. A Fiotex devia R$ 5,1 milhões e
mesmo sem pagar um centavo foi agraciada com uma bolada de US$ 3 milhões. Pouco
tempo depois, sem consultar a direção do banco, a Fiotex recebeu mais R$ 2,5
milhões para capital de giro. Até 2002, tal empresa devia R$ 45 milhões ao
banco. A Fiotex pertence a Francisco de Assis Machado Neto, suplente do senador
Jereissati.
Byron gostava mesmo de Tasso. Era fiel e
agradecido pelos cargos que conseguiu no governo do Ceará e no próprio BNB. Pode
ser mera coincidência, mas isso pode ter incentivado o ex-presidente do banco a
perdoar uma dívida de uma empresa do grupo Edson Queiroz, a Monteiro
Refrigerantes S/A, cuja maior acionista é a sogra do senador tucano. Segundo a “IstoÉ”,
a dívida da empresa com o BNB era de R$ 19,9 milhões. “Desse total, mais de R$
17 milhões era dinheiro público do FNE. Em setembro de 1997, sob uma forte
pressão de Byron, a dívida foi dada como quitada depois de uma estranha
negociação entre devedor e instituição financeira. A empresa pagou, apenas, R$
3,9 milhões. O perdão da maior parte da dívida não teve pareceres técnicos nem
foi submetido aos advogados do banco”, afirma a revista. “A amizade de Byron com
o Grupo Edson Queiroz também levou o presidente do BNB a perdoar uma dívida de
R$ 3 milhões da empresa Luna Aqüicultura Ltda., que pertence ao ex-deputado”.
ALESSANDRO
RODRIGUES
|