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Mãe repudia tortura em SP: “O que fizeram com meu filho foi bárbaro, uma
brutalidade”
O laudo do Instituto Médico
Legal (IML) de Bauru, interior de São Paulo, confirmou que o menino Carlos
Rodrigues Júnior, de 15 anos, teve a sua vida ceifada covardemente devido à
tortura praticada por seis policiais militares que o renderam, sob a
suspeita de roubar uma moto, e aplicaram choques elétricos dentro de sua
casa.
O crime bárbaro foi praticado
na madrugada do sábado (15 de dezembro). Segundo a mãe do garoto, por volta
das 3 horas, os PMs invadiram a residência e se dirigiram ao quarto.
Enquanto a mãe, Elenice Silveira Rodrigues, ficou na sala sob o controle de
um policial, e a irmã Débora no quarto, o garoto foi torturado com 30
choques pelo corpo, além de pancadas.
O menino recebeu dez descargas
elétricas nas pálpebras, orelhas e face; duas no saco escrotal e quatro no
tórax. As demais foram nas mãos, costas e pés. Segundo o laudo, os choques
fatais foram aplicados próximos ao coração, o que ocasionou parada
cardio-respiratória.
“O que eles fizeram foi muita
brutalidade, foi bárbaro. Tenho certeza de que torturaram. Eu vi no velório,
os dedos quebrados”, relatou a mãe, que disse ter ouvido os gemidos do
filho. Ela disse que os PMs entraram no quarto, fecharam a porta e
permaneceram no local cerca de uma hora. Quando imobilizaram o menino, “os
policiais perguntaram: ‘cadê a arma, vagabundo, cadê o capacete?’. Ouvi
muitos barulhos de batidas e ele dizia: ‘não sei senhor’”, descreveu a mãe.
Deise, outra irmã do
adolescente, disse que ele era um jovem normal e queria ser mecânico. A
última conversa que teve com o irmão foi apenas algumas horas antes de seu
brutal assassinato. “Ele estava feliz. Me disse que tinha acabado de começar
um namoro e que iria passar o final de ano com a família dela (da namorada).
E que logo iria apresentar a menina para nós”, afirmou.
Até o fechamento desta edição,
dia 21 de dezembro, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), não havia
se pronunciado sobre o assunto.
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