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“FFAA não cedem aos que querem levar à
ruptura com a Constituição”
Para chefe
das Forças Armadas da Bolívia, general Vargas, os separatistas são “covardes
incapazes de propor soluções sustentáveis e democráticas”
“Não
há como avançar no desenvolvimento econômico, social e político da Bolívia sem
resolver os problemas das maiorias camponesas e indígenas. Eu, como Presidente,
governo para o conjunto da população, mas os pobres são a maioria de nosso povo
e nenhuma pessoa honesta e em sã consciência pode desconhecer essa verdade, como
fazem setores golpistas da oposição”, afirmou Evo Morales, em Montevidéu, onde
participou da Cúpula do Mercosul, chamando uma vez mais para o diálogo aos
governadores das províncias da chamada Meia Lua.
“Nós pensamos que devemos tratar as divergências
de forma política. Tem que ficar claro, porém, que não se permitirá nenhuma
separação, nem divisão da Bolívia. O nosso povo está mobilizado, está firme e o
encontro que acaba de ocorrer aqui, no Uruguai, confirma o amplo apoio à
democracia e às justas mudanças no nosso país dos governos irmãos da América
Latina”, advertiu.
RECURSOS NATURAIS
Evo condenou a campanha separatista lançada nas
províncias de Santa Cruz,Tarija, Beni e Pando para sancionar, através de
“consultas” conduzidas, “estatutos autonômicos” aprovados sem respaldo legal no
final de semana passado. O presidente boliviano denunciou que “a oligarquia, sem
ter como manter os recursos naturais em suas mãos pelas vias legais, tem
destacado alguns para golpear às portas dos quartéis” e declarou estar “seguro
de que os militares não os ouvirão”.
Os estatutos defendidos pelos separatistas
desconsideram a Constituição Política do Estado, aprovada pela Assembléia
Constituinte na cidade de Oruro, em que as novas leis incluem a autonomia dos
departamentos, que eles dizem defender e que agora se encontra contemplada, mas
sem permitir a divisão do país.
Morales advertiu os golpistas que podem acabar
junto “a García Meza no Chonchocoro”, referindo-se ao ditador que usurpou o
governo da Bolívia através de um sangrento golpe de Estado em 17 de julho de
1980, e que cumpre pena de 30 anos no principal cárcere do país.
“A democracia não é convocar golpes de Estado”,
afirmou o presidente durante um ato no sábado passado, em que, pela terceira
vez, as Forças Armadas rechaçaram os chamados de setores opositores a desacatar
as ordens do governo nacional.
COMANDANTE
O comandante em chefe das Forças Armadas, general Wilfredo Vargas reagiu às
incitações à desobediência das tropas propagadas recentemente pelos governadores
dos departamentos (Estados) de Pando, Leopoldo Fer-nández e de Cochabamba,
Manfred Reyes Villa, declarando: “os verdadeiros covardes são aqueles que
convocam à violência em nome da democracia”.
Denunciou ainda que governadores de oposição de
cinco regiões buscaram inutilmente apoio nos quartéis para derrubar o mandatário
boliviano.
O general convocou os governadores e os políticos
da oposição a ter comedi-mento em seus atos e declarações, porque serão
responsáveis por enfren-tamentos que possam acontecer no país, e advertiu que
pretender ações antidemo-cráticas é “um insulto às Forças Armadas”.
Em ato de formatura de 200 cadetes, Vargas disse
que “nos tratam de covardes por não cedermos a suas inclinações de romper com a
democracia e com o mandato da Constituição Política”, e destacou que “são eles
os covardes e incapazes de propor soluções sustentáveis e democráticas”.
SUSANA SANTOS
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