Mukasey diz que incineradores de vídeos da
tortura é que devem investigar a si próprios
O ministro da Justiça dos EUA,
“Não-sei-se-é-Tortura” Mukasey, enviou carta ao Comitê de Justiça do Senado,
para defender a curiosa tese de que os queimadores de vídeos da tortura é
que deviam investigar a si próprios. Isto é, o próprio ministério que ele
atualmente comanda, mais a direção da CIA e – implicitamente, a Casa Branca,
isto é, W. Bush e Dick Cheney. A carta de Mukasey também rejeitou “cooperar”
com a investigação do Congresso dos EUA sobre o crime. Nela, Mukasey
confessou que outra investigação causaria “riscos significativos”. Na
quarta-feira, súbito incêndio em um anexo da Casa Branca chamou a atenção
sobre o avanço das auto-investigações.
A deputada democrata, Jane Harman, que integrava
em 2003 a Comissão de Inteligência da Câmara de Deputados, disse que a
obstrução anunciada por Bush à investigação do Congresso “cheira a um
acobertamento do acobertamento”. A carta de Mukasey irritou o atual e
ex-presidente do Comitê de Inteligência da Câmara de Deputados dos EUA, que
não querem ser respingados no novo escândalo da tortura nos EUA. Em
declaração conjunta, o democrata Silvestre Reyes (atual presidente) e o
republicano Peter Hoekstra (ex) ameaçaram “intimar” os implicados na queima
dos vídeos da tortura – centenas de horas de gravação, segundo os jornais
dos EUA. A tortura que reconhecidamente apareceria nos vídeos é o
water-boarding (afogamento) e os dois torturados são Abu Zubaidah e Abd Al
Rahim Al Nashiri, supostamente da Al Qaeda. Eles foram mantidos durante anos
em prisões secretas em outros países e no ano passado foram mandados para o
campo de concentração de Guantánamo.
A queima dos vídeos foi admitida pelo atual
diretor da CIA, Michael Hayden, após o fato ser vazado através do “New York
Times”. Uma semana antes, a CIA mais 15 agências de espionagem haviam
desmentido Bush sobre “iminentes armas nucleares” do Irã. No terceiro round,
o NYT afirmou, tendo como “fontes” autoridades anônimas da CIA e do governo,
que “advogados da Casa Branca” participaram das “discussões” sobre a queima
dos vídeos. Os nomes agora vazados são: Alberto R. Gonzales, então
conselheiro da Casa Branca, isto é, de Bush, e depois seu ministro da
Justiça; David Addington, que era conselheiro do vice Dick Cheney; John
Bellinger 3º, na época advogado do Conselho de Segurança Nacional; e Harriet
Miers, que sucedeu Gonzales como conselheiro da Casa Branca, isto é, de
Bush, e sua velha parceira desde o Texas. Em suma, confirmado, pela cloaca,
que foram Bush e Cheney que deram a ordem para queimar os vídeos da tortura.
E quem mais teria autoridade para passar por cima do diretor que o próprio
Bush nomeou para dar um jeito na CIA, Porter Goss?