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Delfim Netto: o Brasil crescia 5% antes do BC aumentar os juros

“Há uma compreensão clara da existência da cartelização. Não estou xingando a mãe do banqueiro. Nada disso. Os banqueiros são tão eficientes que exploram a condição de oligopólio que detêm. E quem deu a eles essa condição? O Banco Central. Que a taxa de juro foi exagerada, o resultado prova”, afirmou o economista Delfim Netto, em entrevista à revista Carta Capital.

Para Delfim, “há uma taxa de juros exorbitante, ninguém discute”, que submete a indústria nacional. “O BC, durante anos, escreveu nos relatórios que o produto potencial do Brasil é de 3%. É uma coisa extravagante”, disse.

“Vamos crescer menos de 3% e ter uma inflação ligeiramente acima de 3%. Obviamente, houve uma mão pesada demais no processo. O problema dos juros é que existe essa idéia inacreditável de que, quando você chega perto da capacidade de expansão, vai ter inflação. Isso é um inibidor de crescimento. Se digo que a economia não pode crescer mais que 3% ou 4%, começo a elevar a taxa”, frisou Delfim, que sentenciou: “Quem pretendia investir reduz a potência do motor porque enxerga a falta de demanda lá na frente. Estou absolutamente convencido de que, em 2004, abortamos o crescimento”.

Para aperfeiçoamento do BC, o deputado defende a publicação dos votos dos membros do Copom. “Há, agora, uma suspeita de que os juros cairão 0,25%. Se houvesse o voto aberto, os diretores seriam obrigados a demonstrar depois quais eram as suas preocupações. Vamos voltar a 2004. O Brasil estava crescendo a 5% antes de aumentarem os juros. Queria ler o primeiro voto que decidiu pela alta da taxa. O sujeito deveria explicar o porquê, como descobriu que estávamos na iminência de um aumento muito grave do processo inflacionário. No fundo, é um mito”, frisou. 
 

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