Governos e povos condenam bárbarie dos EUA contra Sadam
Em todos os
Continentes, multidões saíram às ruas condenando
o assassinato e rendendo homenagens ao heróico presidente iraquiano
Governos e povos
do mundo inteiro condenaram o assassinato do presidente Sadam Hussein. As manifestações e protestos
tomaram as ruas do Iraque, da Índia, da Malásia, de vários países árabes e se
espalharam por todos os Continentes.
Milhares de
manifestantes saíram às ruas da capital Bagdá. Em Tikrit, cidade natal do
presidente iraquiano, milhares de pessoas chegam de todas as partes para
render homenagem ao líder. Centenas de retratos de Sadam estão expostos na
cidade. A mesquita de Tikrit teve suas paredes tomadas por cartões de
condolências enviados por simpatizantes do sul do Iraque e da Jordânia que não
puderam comparecer ao memorial.
Em Dor, 124
quilômetros ao norte de Bagdá, os iraquianos marcharam para render homenagens
a Sadam. Em Samarra, uma multidão condenou o enforcamento e carregava um
caixão simbólico e fotos de Sadam. O fluxo de visitantes ao túmulo continuou
durante toda a semana em Awja, povoado onde nasceu. Em Falujah, surgiram
cartazes prometendo vingança pelo “mártir Sadam”.
A Líbia decretou
três dias de luto nacional e cancelou as comemorações do Aid al Adha, data
tradicional muçulmana.
O porta-voz do
Hamas, Fawzi Barhoum, destacou que o enforcamento foi um “assassinato
político” que “violou todas as leis internacionais que supostamente protegem
os prisioneiros de guerra”. “Condenamos este crime hediondo e este ato
vergonhoso, assim como condenamos os EUA, Bush e o governo submisso a ele no
Iraque”, afirmou Hassan Abed Rabbo, o ex-ministro palestino do governo de
Yasser Arafat.
“O Egito lamenta
que as autoridades iraquianas tenham aplicado a sentença”, destacou o
porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Egito, Alaa Hadidi. A Ordem
dos Advogados egípcios organizou, dia 3, uma cerimônia que reuniu centenas de
advogados em homenagem à Sadam Hussein, saudado como “herói árabe”. Para o
embaixador do Iraque no Cairo, Mohsen Khalil, “a execução do mártir e herói
Sadam Hussein foi um crime sob todos os pontos de vista”.
Na Jordânia,
milhares de pessoas saíram às ruas. A filha mais velha de Sadam, Radhad Sadam
Hussein agradeceu ao apoio: “Deus lhes abençõe. Agradeço a vocês que prestam
homenagem à Sadam, o mártir”. O ato reuniu representantes de 14 partidos
políticos e o ministro do Desenvolvimento Político da Jordânia, Mohamed Al
Oran.
O governo da maior
nação muçulmana do mundo, a Indonésia, condenou o enforcamento do líder
iraquiano e destacou “o esforço por uma reconciliação nacional, condição para
o Iraque recuperar sua soberania”.
O governo argelino
orientou todas as mesquitas do país a realizarem preces pelo descanso da alma
de Sadam e todas as cerimônias religiosas ficaram lotadas. Os partidos
políticos argelinos qualificaram de “assassinato político” o enforcamento de
Sadam.
EUROPA E AMÉRICA
“Isto poderá ser o
divisor de águas para o futuro do Iraque pelas sérias criticas de como o
julgamento foi conduzido”, declarou o ministro do Exterior da Finlândia, Erkki
Tuomioja, cujo país preside a União Européia. A chanceler federal da Alemanha,
Ângela Merkel, desejou ao “povo iraquiano que encontre seu caminho sem
violência”. Os governos da França e Espanha também destacaram sua oposição à
pena de morte.
O
primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, afirmou que seu país fará uma
campanha junto à Organização das Nações Unidas (ONU) para que a pena de morte
seja banida globalmente. “Esperávamos que a compaixão humana e a racionalidade
política fossem levar a decisões mais sábias”, declarou Prodi.
Para o presidente
da Nicarágua, Daniel Ortega, o direito internacional “foi violentado uma vez
mais no Iraque ocupado, bombardeado e submetido a humilhações, torturas,
atropelos e a um genocídio cruel, que estão pretendendo justificar com
pretextos e mentiras”.
O presidente do
Peru, Alan Garcia, destacou que a execução foi ilegítima e “levada a cabo com
o país ocupado por forças estrangeiras”. O presidente da Argentina, Nestor
Kirchner, sustentou em um comunicado que “a execução não contribuirá no
processo de pacificação nem ajudará a promoção da reconciliação das distintas
comunidades que formam a sociedade iraquiana”.
“A imposição da
pena de morte é indefensável em qualquer caso, e é especialmente errada após
procedimentos tão injustos”, disse Richard Dicker, diretor do programa de
Justiça Internacional da Human Rights Watch, organização dos EUA.
“Esta execução
satisfaz os desejos do invasor norte-americano e de seus aliados dentro e fora
do Iraque”, afirmou o Conselho dos Ulemas, instância religiosa mais importante
do Iraque, que condenou o que chamou de “ódio pessoal”.