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Tristezas e alegrias de 2006 ARIOVALDO IZAC * No crepúsculo de mais um ano, em tempo de retrospectiva, a coluna revive 2006 como período marcado pelas mortes dos meias Jorge Mendonça e Ferenc Puskas e dos técnicos Telê Santana e João Avelino. Do cerimonial fúnebre à festa, a temporada fez justiça à perseverança e competência do treinador Abel Braga, que surpreendeu o gigante Barcelona e conquistou o título mundial interclubes pelo Inter (RS). Jorge Mendonça - o Jorjão ou Coronel para os amigos - foi vítima de um ataque cardíaco no dia 17 de fevereiro e morreu com a pecha de jogador indisciplinado, sem que fosse. Motivo: rusgas mal explicadas dos tempos em que trabalhou com Telê, no Palmeiras. Aí, o então comandante da Seleção Brasileira foi à forra ao não relacioná-lo à Copa do Mundo da Espanha, em 1982, justamente quando Jorjão atravessava a melhor fase na carreira, no Guarani. O também meia Dicá, companheiro de Jorjão na Ponte em 1983, testemunhou a simplicidade e bondade do amigo: “Parecia uma moça”. O técnico Zé Duarte (já falecido) dizia para seu atleta que ele era um bobão: “O Jorge gosta de todo mundo e não aprendeu a gostar dele”. Jorjão morreu aos 51 anos de idade e dois meses depois Telê também foi sepultado, vítima de infecção abdominal e pulmonar, aos 74 anos. O mestre foi um jogador razoável no Fluminense, na década de 50, mas suficientemente inteligente para absorver ensinamentos de seu comandante Zezé Moreira, e colocá-los em prática ao assumir as funções de treinador. Telê, chamado de pé frio pelas perdas das Copas de 82 e 86, provou ser um vencedor com a conquista do bicampeonato mundial pelo São Paulo, em 1992/93. E três anos depois, doente, foi obrigado a se afastar do futebol, um martírio para quem a bola era a própria vida. Igualmente machucado ficou João Avelino, quando teve de se afastar do futebol por problemas de saúde. Pior: posteriormente foi vítima do Mal de Alzheimer, e antes de morrer sequer reconhecia as pessoas. Claro que o futebol perdeu um pouco de seu folclore com a morte dele, no dia 24 de novembro. Só para resumir as incontáveis malandragens do “João”, uma no Estado do Ceará: como técnico do Fortaleza se espantou com o tamanho do goleiro, de pouco mais de 1,70m de altura, e estrategicamente mandou diminuir a altura da trave. E quando perceberam a tramóia ele já havia festejado um título cearense perseguido há cinco anos. Ainda em novembro uma morte já esperada: Ferenc Puskas, um dos filhos mais ilustres da Hungria, castigado também pelo Mal de Alzheimer. Puskas será eternamente lembrado como o principal astro da máquina húngara mortífera de 1954, que despachou o Brasil na Copa do Mundo da Suíça. Mortes à parte, sobrou energia para Abel Braga, premiado com os títulos da Libertadores da América e Mundial Interclubes com o Inter (RS). Abel foi sinônimo de persistência desde os tempos em que jogava. Se não tivesse personalidade bem definida ainda garotão, teria sucumbido a insultos de “corneteiros” nas Laranjeiras, que o consideravam “grosso”. Abel não deu ouvidos aos conselheiros, sabia que eficiência apenas no jogo aéreo era pouco, e mostrou determinação para superar deficiências no chão. Resultado: Cláudio Coutinho (já falecido), treinador da Seleção Brasileira em 1978, o levou à Copa do Mundo da Argentina como reserva de Oscar. * É jornalista e colaborador do HP em Campinas |