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General Villas Bôas, comandante da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais do Exército: “Áreas indígenas e de preservação tornam faixa de fronteira vulnerável” “Qualquer país procura reivindicar a sua faixa de fronteira para dinamizar o intercâmbio, fortalecer as tropas e proteger o espaço anterior, o Brasil faz o contrário”, destacou o comandante da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais do Exército durante palestra sobre a Amazônia “Praticamente toda a nossa área de fronteira está tomada por reservas indígenas ou são áreas de preservação ambiental. E isso amortece a faixa de fronteira. Qualquer país procura reivindicar a sua faixa de fronteira para dinamizar o intercâmbio, fortalecer as tropas e proteger o espaço anterior, o Brasil faz o contrário”, destacou o general Eduardo Dias Villas Bôas, comandante da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais do Exército, durante a palestra “Amazônia: Um desafio brasileiro”, em dezembro, na Bovespa. A Amazônia brasileira têm 1,2 mil quilômetros de fronteira, conjugada com uma baixíssima densidade populacional - pouco mais de 2 habitantes por quilômetro quadrado - que se concentra principalmente nas capitais da Região Norte. Aliado a isso, o baixo investimento dificulta ainda mais o monitoramento da região. “O Estado do Amazonas, por exemplo, tem só 3 milhões de habitantes. Metade desses 3 milhões estão em Manaus, sendo que 90% da economia do Amazonas está concentrada na capital, e o restante da população toda ao longo dos rios. Então, dentro do interior é um enorme vazio”, destacou o general. Segundo ele, a região conta com 22 mil quilômetros de rios navegáveis, 150 rios que penetram no nosso território, que são “uma via de comunicação, de intercâmbio, de todo tipo de benefício. Entretanto, exige a presença e a vigilância nossa nesses locais”. Para o general, a atual política de demarcação de terras é “uma política que foge ao controle até do nosso governo. É uma agenda que normalmente vem de fora”. A questão da soberania nacional foi o eixo central da palestra - que passa pelo investimento e reforço do papel das Forças Armadas na região, pela integração dos países vizinhos e por um plano de desenvolvimento sustentável da Amazônia. Ao destacar essa política de demarcação, o general atenta para a seguinte questão: “quando avançar esse processo de integração sul-americana, por onde é que vão passar rodovias, gasoduto, a linha de transmissão?”. Esta é uma situação preocupante, como destacou Villas Bôas, já que, segundo ele “antes de tudo é importante entender o que a Amazônia representa para o Brasil”. Citando Euclides da Cunha, o general destacou que a “Amazônia é a última parte do Gênesis ainda não escrita. É um mundo em formação ainda, do ponto de vista geográfico, geológico, enfim, toda a sua conformação física ainda está em formação. O Brasil ainda tem que escrever essa página da sua história, e depende da sociedade brasileira definir os parâmetros para que essa última página da sua história seja escrita”. Para o general, a Amazônia tem pelo menos dois papéis importantes a desempenhar no nosso país. O primeiro refere-se à imensurável riqueza natural que ela possui, e o segundo é decorrente da posição geográfica, da extensão e do fator estratégico para garantir a integração com os demais países. “A Amazônia vai ser a plataforma na qual vai se dar a integração sul-americana”, afirmou. “Alguns estudos estimam que de riqueza natural existente na Amazônia ultrapassa dois trilhões de dólares”, destacou Villas Bôas. Riquezas minerais, metálicos, não-metálicos e energéticos - como petróleo, carvão, além de toda a biodiversidade ainda não dimensionada, da água - seja como maior reserva potável do mundo, ou ainda, por sua capacidade bioenergética. “Há um estudo da Embrapa, citado pelo professor Bautista Vidal, de que a Amazônia tem capacidade de produzir bioenergia sem gerar dano ambiental o equivalente ao que a Arábia Saudita produz em petróleo”, afirmou. “Amazônia não é um problema, mas uma solução para o nosso país”, destacou. |