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Advogado chefe da equipe de defesa do presidente Sadam Hussein, Khalil Dulaimi: Gás que matou os curdos em Halabja era do exército do Irã Dulaimi denunciou que funcionários iranianos ofereceram US$ 100 milhões para que não apresentassem as evidências sobre a participação iraniana no ocorrido em Halabja O chefe da equipe de defesa de Sadam, Khalil Dulaimi, afir mou que sua equipe possui os documentos e as evidências que comprovam que o ataque aos civis curdos em Halabja foi cometido pelo exército iraniano. Em declaração emitida no dia 7 de janeiro, ele destacou que “a inteligência norte-americana enviou uma equipe liderada por um general, que colheu amostras do solo que provam que o gás utilizado não era produzido pelo Iraque”. Dulaimi revelou também que funcionários iranianos encontraram-se com o advogado Hatem Shaneen e com outros membros da defesa do ex-presidente iraquiano, oferecendo suborno de 100 milhões de dólares para que não fosse levantado, durante o tribunal-farsa, as provas que demonstram o que realmente aconteceu durante a guerra Irã-Iraque de 1980-1988. Atribuir ao presidente Sadam Hussein as mortes resultantes do ataque iraniano, em março de 1988, final da guerra Irã-Iraque, foi uma das mentiras utilizadas por Bush e seus asseclas na Casa Branca, com apoio do monopólio da mídia dos EUA, para respaldar a farsa com a qual investiram contra a liberdade, a legitimidade do presidente do Iraque e contra a sua vida. As mentiras e distorções sobre o julgamento dos que atentaram contra a vida do presidente do Iraque em Dujail, em plena guerra Irã-Iraque, foi o aspecto central da farsa usada pela corte-fantoche. Acusaram o presidente de mandar matar 148 pessoas sem justificativa e usaram a acusação para assassiná-lo. Os ‘juízes’ orientados pela ocupação ianque, não permitiram à equipe de defesa nem mesmo a apresentação das atas do julgamento dos criminosos detidos em Dujail, como elemento comprobatório da justeza dos processos ocorridos sob o governo de Sadam (ver matéria nesta página). WASHINGTON POST O cianureto, composto responsável pelas mortes das vitimas em Halabja, segundo informações da própria CIA, vazadas e publicadas no Washington Post, em 4 de maio de 1990, era utilizado pelos iranianos e foi utilizado como arma apenas dois anos após a descoberta do escândalo dos Irã-Contras – negociações envolvendo fornecimento de armas pelo governo norte-americano ao Irã durante a guerra. Segundo informe da Escola Militar Americana, publicada pelo Washington Post, “a afirmação iraniana de 20 de março segundo o qual a maioria das vítimas de Halabja foi envenenada por cianureto se considera um elemento-chave. [...] Nós sabemos que o Iraque não utiliza gás cianureto. Temos um conhecimento muito bom dos agentes químicos que os iraquianos produzem e utilizam”. CIA Em 2003, Stephen Pelle-tiere, analista político para o Iraque na CIA durante a guerra Irã-Iraque, e também professor da Escola Militar de 1988 a 2000 e que participou da redação do informe revelado pelo Washington Post, confirmou as conclusões. Em entrevista ao The New York Times, afirmou que “o massacre de Halabja foi um crime de guerra cometido pelo exército iraniano, e não um crime contra a humanidade cometido pelo exército iraquiano. E, de forma alguma, foi um assassinato deliberado de população civil por parte do Iraque”. Durante a campanha da mídia pela invasão ao país árabe, ambos os jornais ianques e a mídia internacional servil a eles, ignoraram por completo as declarações do ex-agente da CIA. Foi o próprio Pelletiere que no decorrer da agressão de 1991 encabeçou uma “investigação” do Pentágono sobre como os iraquianos lutariam contra os EUA, cujo relatório sigiloso entrava “em grandes detalhes sobre a questão de Halabja”. Esse relatório registrava o dado essencial que permitia tirar essa conclusão de que o bombardeio de gás venenoso fora feito por iranianos: “as condições dos corpos dos civis curdos indicaram que eles tinham sido mortos por um agente sanguíneo – isto é, um gás à base de cianureto – que, como se sabe, era usado pelo Irã”. Os iraquianos – que tinham gás mostarda, que atua por princípio diferente – “não tinham agentes sanguíneos na época”, ressaltou Pelletiere. FANTASIA O relato desmonta ainda a fantasia do “exército de Sadam jogando gás venenoso no seu próprio povo”, ao demonstrar ainda que a tragédia de Halabja ocorreu no decorrer de uma batalha entre iraquianos e iranianos – estes últimos no controle da cidade – que definiria o estratégico controle da maior represa do país, Darban-ddikhan, e assim, das águas do Tigre e do Eufrates. Portanto, se deu no meio de uma batalha e não tendo civis curdos como alvo. Como destacou, “os civis que foram mortos tiveram o infortúnio de serem pegos no meio disso”. Somente seis meses depois, em setembro de 1988, após o fim da guerra, foi que o Departamento de Estado, fingindo ignorar o relatório da CIA, passou a acusar o governo de Sadam de ter matado curdos com armas químicas em Halabja e, mais ainda, de seguir usando-as contra os curdos, o que foi firmemente desmentido pelo governo iraquiano. O objetivo era apoiar os bandos de criminosos que durante a guerra se alinharam com o Irã, combatendo contra o Iraque, apostando no esquartejamento do país e aos quais o governo iraquiano tratava, então, de dar um basta. Os mesmos, aliás, que atualmente colaboram, com o invasor e participam do seu governo-fantoche. Essas mentiras eram repetidas reiteradamente, apesar dos mentirosos nunca terem apresentado dados de uma vítima que fosse. Os que cruzavam a fronteira dirigindo-se à Turquia – país conhecido por ser o último lugar onde um “combatente curdo” de verdade iria –, apesar de serem gente com muita intimidade com a CIA, tudo o que puderam fabricar foram vagos “relatos”, logo convenientemente colhidos por enviados do Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA e devidamente amplificados pela mídia imperial e a submissa. RODRIGO CRUZ |